segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tal vida, tal memória

Tu já paraste para pensar
Que tipo de memórias quererás ter
Quando a velhice avizinhar-te?
Não queres que teu melhor amigo
Seja um super-herói de desenho animado, não é?
Ou de vídeo-game, que seja
Nem que as aventuras que tenhas vivido
Tenham se passado em filmes hollywoodianos
Num sábado monótono (para não dizer solitário)
Muito menos que tuas histórias de amor
Tenhas vivido na pele de personagens sofríveis dalguma novela besta
Quando chegar a hora da morte
Que passará em revista pela tua cabeça?
Tu, sentado ao sofá, assistindo à tevê?
Mas eu não lhe digo para que imites a arte
Se é que é possível dar tal qualidade
A esse monte de bobagem televisiva
Que nos empurram diariamente
Não; exorto-te para que faças arte!
Para que vivas a arte!
Para que desatines dias desses!
Para que te percas por aí, sem norte!
Em lugares que nunca estiveste!
Fazendo coisas que nunca imaginaste!
Beijando bocas que nunca beijaste!
Acredite em mim quando lhe digo que é desse tipo de memória
Que quererás ter na hora da morte
Se não for para tê-las
Se for para ruminar essa existência bovina
A vida, de que vale?
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