quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Lá vai um bobo

"Lá vai um bobo!"
Dizem as más línguas.
Ele sorri a torto e direito,
Cumprimenta a todos,
Fala consigo mesmo,
E - o cúmulo do absurdo -,
Canta e dança na rua!

É um pobre coitado,
Não sabe da maldade do mundo,
Não vê ruindade em nada,
Nem malícia em ninguém.
Unas acham graça,
E dele fazem troça,
Outros se condoem,
Como se se condói de uma criança,
Inocente e desemparada.
Mas quando ele passa,
Todos apontam e dizem:
"Lá vai um bobo!"

Por fim, escarnecem,
Sorriem o sorriso dos altivos,
E ao bobo dizem:
"A mim ninguém engana!
Contra a maledicência de todos,
Eu os maldigo por antecedência!
Estou sempre preparado, precavido;
Ora, se o mundo todo é-me inimigo,
Ando sempre desconfiado,
Pronto a dar o troco."

Mas o bobo nem dá por isso;
Segue pelo mesmo caminho,
A cumprimentar de graça,
A sorrir sem motivo,
A cantar e dançar e sozinho;
Mas um dia todos dirão:
"Lá vai um bobo!
Um bobo de bom coração,
Um bobo bom e feliz."
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