sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Soledade

Soledade é o nome da minha esposa
Com quem nunca fui perdidamente apaixonado
Mas junto da qual o acaso levou-me a unir em casmento
Com seus altos e baixos, suas alegrias e tristezas

Mas Soledade é também o nome da minha amante
A quem vez ou outra me entrego loucamente
Em arroubos febricitantes de desejo
Até quando, vendo-os satisfeitos, volto a recusá-la
E novamente sinto que a odeio

Ah, afinal, Soledade é o nome da minha companheira!
Ao lado de quem envelheço
Enfrentando o ramerrão da rotina rotineira
Sempre em sua dedicada companhia
Tendo a certeza de que ela não me abandonará
Até sermos dois velhinhos bobos
Que já foram apaixonados
Que já se odiaram
Mas que nunca se separaram
Porque, no fundo, se gostam
Mais até do que imaginam
Até que o dia da morte leva tudo isso embora
E de toda nossa história
Restam apenas duas covas
Sobre as quais registra-se o seguinte epitáfio:
Juntos em vida
Juntos na morte
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