sábado, 9 de novembro de 2013

Poesia ao poetinha

Ah, meu poetinha!
Só tu me compreendes
Tu, que morreste de amores
E de amores viveste
Ensina-me como ver alegria
Num mundo triste como este

Agora quem pergunta sou eu:
Que lhe disse a poesia?
Que viu você por trás do véu
Que dos vivos a verdade esconde
Como a noite esconde o dia?
Afinal, do alto deste céu
Que lhe parece a vida?

Ensina-me a arte que dominaste
Com exímia maestria
A de fazer da dor, poesia
De prantear o amor que se ia
Sem num só instante
Perder a fé no outro que viria

É desta qualidade
Tu sabes, poetinha
Que se faz um verdadeiro vate:
Ver na tristeza sua bela face
E dela fazer-se amante
Sem deixar o riso de parte
Não é desta espécie de sabedoria
Da qual é feito o vate?
Então ensina-me, poetinha
Ensina-me a tua arte!

Tu, camarada
Que tantas alegorias viste no mar
Olha pela minha nau a deriva
Que, mesmo sem saber velejar
O desconhecido infinito singra
Atrás de um lar, atrás de paz
Tendo como único guia
As palavras sem par
Do meu poetinha camarada
Vinícius de Moraes
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