domingo, 10 de novembro de 2013

Memória

Cansei de brigar com você
Desisto, jogo a toalha
Compreendo agora o seu poder
Você me possui, admito
E conforme o tempo passa
Isso fica cada vez mais claro
Você, dona Memória
É senhora do meu destino
Por isso, eu lhe imploro:
Não se vá, fique comigo!
Sem você, eu não sou nada
Sem você, me sinto abandonado
Não me deixe neste presente sozinho
Não me deixe esquecer o passado!
Que parece mais e mais distante
Como a costa se vê do navio
Sumindo na linha do horizonte
Os traços então se confundem
Os conteúdos tornam-se indistintos
E já não mais se sabe o que é o que
Que aconteceu naquele dia fatídico?
Quem dera o primeiro beijo atrevido?
Terá sido eu ou terá sido ela?
É tão fraca a luz que vem da vela
A bruxulear no canto da sala
Ah, senhora Lembrança!
Não me deixe esquecer os sorrisos
Tão lindos que vi por essas andanças
São tantos os rostos queridos
Que até da memória se vão
E já não importa
O quão fundo eu vascoleje a cachola
Eles agora não passam de um borrão
Eu não posso vencê-la, Memória
Mas, por piedade, por compaixão!
Não tire de nós, humanos sofridos
O pouco do pouco que nós temos
No final, tudo o que nos resta é a memória
Perdê-la seria como não ter vivido
E de que vale passar por tudo isso
Se não for para depois contar a história?
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