terça-feira, 4 de novembro de 2014

Contra a pressa

Quem tem pressa
Passa, rápido
E nem vê as coisas
Passarem, devagar;
Anda correndo
E tem medo de tropeçar
Só olha à diante
E não se permite, voltar,
Rodar sobre os calcanhares;
Não olha pra baixo
Pisa em cima
E nem percebe
No que pisou
Não olha para o lado
Nem vê o que desperdiçou

A pressa é inimiga
Da vitória
Ou da perfeição
Mas quem não se apressa
Pouco se interessa
Por competição
Deixa a pressa
Pra quem quer ganhar
Pra quem quer chegar
A algum lugar
Mas que não vê que onde está
É o lugar para se estar
E se demorar
Porque no segundo seguinte
Já não mais se está

Quem tem pressa
Não deixa marcas
Não cria raízes
Não estreita laços
É um solitário
Correndo contra si
E de si mesmo
Numa peleja sem fim
Não se engane
Com o que dizem
O mundo é lento
E a vida de nós só exige
Serenidade e calma

Se você corre
E se apressa
E tem medo de ser atropelado
Por suas próprias pernas
Não culpe o tempo
É você quem põem-nas
Em movimento
Quanto a mim
Que vim a passeio
Apenas abro minhas asas
E voo, ao sabor do vento

Quem tem pressa
Se apressa em ganhar
Ganha tempo pra desperdiçar
E desperdiça o tempo de amar
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