quinta-feira, 25 de julho de 2013

O vício da poesia

Escrever poesia virou um vício.

Tudo é motivo, não consigo pensar em mais nada.

E mesmo quando penso em outras coisas a poesia não deixa de pensar meus pensamentos.

Permanece como pano de fundo, poetificando tudo, e em minha mente a ciência e a política de repente se veem relegadas a um quarto escuro.

Não respeita o momento, nem pede permissão para assomar à ribalta do palco da peça que se desenrola em meu teatro mental.

Então deixo de fazer o que estou fazendo e penso: isto daria uma bela poesia!

E paro tudo para pari-la.

Bem no momento – neste momento exato! – em que o inesperado mais esperado em décadas de repente deixa de se fazer esperar para tornar possível a possibilidade de se ver realizado.

No momento em que, ainda sem jeito, saem as massas às ruas para entrar na história.

Em que a palavra de ordem é política, e é ela que dá o tom da crítica.

Bem neste momento eu largo tudo, deixo o concreto mundo, para me refugiar nas searas líricas da poesia.

Bem neste momento, sou só sentimento, sem tempo para racionalizar, quem dirá participar.

Agora que se exige a prática, sou só teoria.

Que se impõem a realidade, sou só fantasia.

Sou só abstrato.

E, qual não é o espanto, quando constato que, isto aqui, que era pra ser um desabafo, virou também poesia.

De fato, a continuar assim, eu próprio tornar-me-ei verso em prosa.
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