quinta-feira, 25 de julho de 2013

Minha ambição

Minha maior ambição
É nada ambicionar
Senão as coisas do coração
As quais não se pode comprar
Meus sonhos não estão à venda
Não se adquirem no mercado
O que eu tenho não foi comprado
E não se expressa em moedas
Antes está em mim, incorporado
Não está em coisas materiais
Objetivado em mercadorias
Não me interessa bens venais
O que me interessa é saber,
Conhecer; é sabedoria
Que fique claro: ter não é ser
O que me interessa é amar
E ser amado
E isto justifica a minha pressa
Que não é a mesma desta corrida de ratos
A vida é uma só, e é esta
Há de se bebê-la num trago
De fazer dela uma festa
E, ao apagar das luzes,
Dela estar inteiramente embriagado
Sabe o que é estar livre da ambição?
Não ambiciono carros
Sejam novos, sejam importados
O meu, velhinho, serve-me mui bem, obrigado
As vitrines não me despertam atenção
Em verdade, acho-as de extremo mal gosto
Teu tênis novo não me cobiça
Cupidez é um pecado sem perdão
Ostentação, então, me causa ojeriza
Tudo o que me interessa são bons amigos
Que com eles divido tristezas e alegrias
Digo de novo: é amar e ser amado
Tudo isso acompanhado, claro,
De bons livros
Livros, de preferência, usados
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