domingo, 23 de fevereiro de 2014

Entre amor real e irreal

Me disseram que o amor não tem linhas
Ele é tortuoso por natureza
Acho que isso quer dizer que, para o amor
Não há regras, não há ordem
Não é factível um amor organizado
Reto, burocrático, que saiba exatamente o que está fazendo
Ele vem sempre acompanhado de tantos sentimentos
Circunstâncias e tendências contraditórias
Não existe em estado puro
Mas longe de ser irreal
O amor verdadeiro é surreal
Será que se ele fosse real sua beleza se acabaria?
Será que deveríamos colocar o amor numa redoma de vidro
E conservá-lo longe das intempéries e dos nossos erros?
Simplesmente não dá
Ora, não viver o amor por medo de macula-lo já é vivê-lo
Já é fazer um escolha
Possivelmente fonte de arrependimento futuro
O legal do amor é sua comicidade comovente
Ou sua condição trágica
E a gente enche ele de palavras
Afobadas, inconsequentes, ruidosas
Quando na verdade só queríamos ficar calados
Ouvindo o bater de nossos corações
Isso porque somos confusos
E temos medos
E precisamos justificar
E racionalizar tudo
A nós mesmos
Mesmo aquilo que não tem razão nem nunca terá
E por mais que não o entendamos
Às vezes nos basta ouvir aquela voz que lá de dentro grita
Eu amo!
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