quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sei lá eu

Tá dormindo, caralho?
Acorda, porra!
Onde você vê melhora?
Evolução, progresso?
Cadê essa merda?
A cada ano só piora
A gente caga, senta em cima
E só porque escorrega
Acha que avança
Todo cagado
Este é o mundo que criamos
Cada vez mais lotado
Poluído, violento
Frenético, invivível
Sim, a singularidade catastrófica
Da situação merece um neologismo
Não tem reforma que dê jeito
Nessa estrutura viciada
Pouco, muito pouco
Pode ou merece ser aproveitado
Há que botar tudo abaixo
Consumir com fogo
Começar de novo
Se isso lhe soa como fatalismo
Pra mim soa como um tapa
Na cara do seu pseudo-realismo
Continua aí com o teu sonho
De um capitalismo humanizado
De um socialismo milagroso
Precisaremos ser mais criativos do que isso
Ao invés de escolher um dos lados
Eu escolho o avesso
Ao invés de tomar partido
Eu dou de ombros
O caminho é outro
Vai noutro sentido
Que ninguém sabe qual é
É preciso perder-se para acha-lo
Abrir mão de velhas certas
E a mente para novas ideias
Ousadas, inimagináveis
Sei lá, véio
Tenho certeza de nada, não
Nem das minhas próprias incertezas
Mas às vezes eu acho que tá tudo fodido
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