quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Muito dentro da gente

É feminista
Mas quando xinga
Xinga uma mulher
A puta é a sua preferida
Ou seja, a mulher não submissa
E mesmo quando tenta ser equitativo
Inicia sempre pelo gênero masculino
A mulher vai entre parênteses
Caro(a); prezado(a)
E adora usar o falo metafórico
Para domar os discursos
E consequentemente os corpos
É pró-homossexualidade
Mas tem vergonha de ser visto
Só, com um gay
Com medo do que irão pensar
E se desarma diante de um
“Hummm...ui”
Carregado de ironia homofóbica
Daí recobra
Ainda que a contragosto
A postura de macho
Não faz piada
Mas abre um sorriso desconfortável
Ante uma
Quando deveria fechar a cara
Ser honesto, se opor, argumentar
E machismo e homofobia entre amigos e familiares
Daí pode?
Como se a atitude a mudar fosse alheia
Estivesse em outro lugar que não na nossa realidade
Como se o mal estivesse numa tal “sociedade”
Que existe sabe-se lá onde
E não aqui e agora
Na vida, no cotidiano
Dentro de nós mesmos
A “sociedade” é patriarcal
Eu não
Mais do que princípios
Mais do que teorias
Lindas frases feitas e vazias
Precisamos de atitudes
Comportamentos coerentes
Exemplos e práticas
Tomar ciência acrítica do problema
É a parte mais fácil
Agora vem a parte difícil
Empenhar-se honesta e corajosamente na luta
E ela começa com você, comigo, conosco
No dia-a-dia
Nos pequenos espaços
Nas relações próximas
Para só depois chegar neles, nos outros
Na sociedade como um todo
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