quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Depois da chuva

Foi-se a chuva embora
Abriu-se o azul do céu
Em sol poente
Acima do mar suave
Folgazavam gaivotas
O dia despedia-se em tarde
E a mata reverdejada
Me convidava à arte
Da fotografia
Trago a câmera
E os pés descalços
Na praia de areias molhadas
Vindo ao longe
De bote a remos
Um senhor de idade
Na mais bucólica das cenas
Para a composição perfeita
Só faltava mesmo
A sua senhora de sombrinha
E longo vestido de chita
Ele para de repente
Procura algo nos bolsos
Um pequeno objeto
Aproxima-o do ouvido
“Alõ?”, diz ele
“Não, tô remando”
E desligou
O romantismo acabou
E eu voltei a 2014
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