domingo, 19 de janeiro de 2014

A primeira vez

Já faz tempo agora
E a memória engana
A história que me contas
Será a mesma que trago na lembrança?
Lembro que a gana era muita
E ardia, ardia como chama
A lua ia alta, cheia
Ou ela sorria?
Um sorriso largo e satisfeito
Você mentiu pra estar comigo
O vinho, o vinho tinha outro gosto
Na sua boca rubra
Acho que era o gosto do proibido
Do desejo
Só nosso, nosso doce segredo
Bastava um toque
Um dedo, na nuca
Por entre a virilha, nas dobras da bunda
E eriçavam-se os pelos
Subia o arrepio do cóccix até os cabelos
Enlanguescia as pernas e contorcia a cintura
Esquecemos a timidez, a inocência, o recato
Éramos dois devassos, impudicos, depravados
Diabo, íamos para o inferno, mas íamos felizes!
Ao mesmo tempo, era tudo tão sublime
Para não sair voando, nos agarrávamos à existência segurando pinto, boceta, mamilos, saco e grelho
Minha vida se alimentava do teu gozo
Minha vida se ligava à sua pele suada
E, para salvá-la, eu precisava ir mais fundo
Precisava mergulhar na tua alma
Até encontrar a fonte que corre em teu útero
E você me puxava, me dizia vem, me dizia “sou tua”
Só pra depois me empurrar, e me bater com cara de safada
Era uma trepada, das boas, e era brincadeira, farra
Éramos duas crianças levadas a descobrir o mundo
O mundo escondido no gemido surdo que antecede um orgasmo
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