terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Abaixo a poesia lírica!

Abaixo a poesia lírica!
Um pouco mais de carne,
Poeta, um pouco mais de vida em tua lira!
Chega de evasão egótica!
Em outras veias também corre sangue,
Poeta; se saísse de teu refúgio anímico o saberia.
Tuas dores não são mais dignas que as minhas;
Teus amores não são mais intensos que os meus.
Chega de autocomplacência ou autopiedade em tuas poesias.
E ainda que auto-ironia impinja-te, és um tolo, poeta.
Deixa o romantismo no passado,
Põe de parte tua obsessão com a morte;
A vida não pede senão que a viva, em festa.
Há todo um mundo para além do teu impressionismo oco,
Mundo que de histórias fervilha,
De gente que chora, que sofre,
Que ama, que odeia, que goza e que ri.
Se quer fazer poesia de verdade,
Se quer saber a verdade da poesia,
Poeta, desvia o olhar de si e olha
Em volta; olha pra essa gente
E me diz, se não fazem poesia sem o saber
Pelo simples fato de estarem vivos?
Inspira-te nessa gente, poeta,
E verás que, antes de aprender a escrever,
É preciso aprender a viver.
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