sexta-feira, 7 de março de 2014

A casa

Era uma casa
Mui desgraçada
Não tinha comida
Não tinha nada
Ninguém podia
Matar a sede
Pois água encanada
Não havia ali
Ninguém podia
Fazer cocô
Porque o esgoto
Era no mato
Não era casa
Era um barraco
Mas era feita
De muita fé
E muito esforço

[...]

Resistiu como podia
Durante anos
A enxurrada não a levou
De incêndios criminosos
Escapou
Sua porta remendada
Até coturno da polícia
Aguentou
Enfim foi vencida
Pelo governo
Pela FIFA
Que a puseram abaixo
Deram 30 dias de aviso
Prometeram auxílio moradia
Queriam nos cooptar
No dia fatídico
Não fizemos como Joca
Resistimos
Como em Pinheirinho
Chamaram a tropa
E em meia hora
Os barracos estavam todos no chão
Era uma ordem superior
Foi-nos dito que a nossa maloca
Já saudosa
Vai virar estacionamento
Ou viaduto
Não me lembro
Que ironia seria
Morar debaixo dele
Dizem que o espaço é público
Mas carro aqui tem preferência
E a Copa traz dinheiro
Investimento
Que somos nós, o povo
Os principais beneficiários
É o que dizem
Mas a gente não acredita

Agora não tenho casa
Não tenho nada
Só o que me resta
É a vontade e a força de lutar
Pelo meu/nosso direito de morar
Quando a moradia é um negócio
Ocupar é um dever
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