quarta-feira, 24 de abril de 2013

Solidão (II)

Empresto da ciência astronômica,
A definição de solidão.
Grandes massas cósmicas,
Vagando no vácuo da imensidão.
Como a lua na abóboda noturna,
A linda virgem solitária.
Como uma pérola rara,
Inconspurcável, celibatária,
Suspirante e melancólica,
Alentando amores imaginários.
Noite após noite, apostólica,
Ela solitária peregrina
Por caminhos invariáveis,
Percorridos dia após dia,
Dos quais se arrepende,
Não enquanto os trilha,
Mas quando chega lá na frente,
E se vê afinal sozinha.
A astronomia chama de órbita,
Essa sina pré-estabelecida,
Desde tempos imemoriais.
Nós chamamos de condição solitária,
O mal que toda rotina implica.
Aferra-nos, como um grilhão,
Esse apego às coisas tais como são.
Em torno de sua única companhia,
A lua gira, e gira, e gira,
Sem saber por que razão,
Não lhe rouba um beijo de gratidão,
E foge, a explorar o universo,
Em toda a sua extensão.
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