sexta-feira, 13 de junho de 2008

Que posso mais esperar?

Minha vastidão de vida
É dum tédio sem fim,
Pretendo caminho só de ida,
Pra, enfim, dar cabo de mim.

Visto o véu insondável da noite, durmo,
E pela manhã levanto-me num sacode
Acode! Acode! Dia, dê-me rumo!
Mas assim, como quem nada pode,
Não tomo prumo, e logo caem as estrelas,
Recolho-me vezeiro taciturno.
Ao travesseiro, entre tantos pesadelos,
Canto meus mais tristes devaneios.

Maldita vida desdita
Que não sabe se vai ou fica
Destarte, como pode ser-me amiga?
És como a brasa e a pele que nela pica!

Acaso pudesse,
Fecharia os olhos
E gritaria voz que quisesse.
Seria mudo meus poros
Mas saboroso a quem viesse
Ouvir.
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