quinta-feira, 12 de junho de 2008

Comida do mundo

De tão insensato,
Nem digo.
Porém sinto-me tentado,
Pois digo!
Para além do meu umbigo,
Cabe um mundo inteiro.

Minha infância,
Fora sempre na distância,
Do olfato, do tato, do beijo.
Só me ia, nunca me veio.
E de desforra, sem receio,
Numa bocada comi o mundo inteiro.

Cresci assim, sem o fim, só com o meio.
Afinal, que importa se perto de mim
Existe o começo do mundo inteiro?

Tenho fome de tudo.
Mas quero a comida
Dentro do meu bucho,
E lá encerro minha vida contida.
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