segunda-feira, 14 de julho de 2014

Palestina

Numa tripa de terra
Seca e árida, conflagrada
Quase do mapa apagada
Homens e mulheres
Acossadas e humilhadas
Se apinham
A mercê de Golias
Neste sitiado rincão
Ninguém entra ou sai
Por terra, mar ou ar
Dos nazistas
Lembra os guetos
Campos de concentração
Rafah é Varsóvia
Quem diria, os israelitas
Ontem vítimas
Hoje verdugos
A história e sua trágica ironia
Falam de terroristas
Mas só vejo famílias
Pessoas normais
Crianças mutiladas
Pais sem suas filhas
E filhas sem seus pais
É um holocausto
Que fingimos não ver
E nada saber
Dizem que nessa terra antiga
Sempre houve conflito
E sempre vai haver
Mas não vejo guerra
Vejo só genocídio
E covardia
Com a cumplicidade habitual
Das potências imperialistas
E de nossa omissão moral
Eu queria que essa poesia
Atravessasse os mares
E chegasse à Palestina
Que fosse como um grito
Ecoando mais alto
Que as bombas sionistas
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