domingo, 27 de outubro de 2013

Ansiedade

A ansiedade, esse desassossego interior
É como uma luta que se trava consigo mesmo
No mais íntimo do ser
Pela posse do corpo e da mente
Se por fora mostra-se a razão no controle
Por dentro, exércitos de paixões digladiam-se
Dilaceram fragorosamente o espírito
E é possível senti-los, fisicamente
Movimentando-se, batendo-se,
Comendo as entranhas, liquefazendo as tripas
Cá dentro reina o caos, a confusão
Lá fora, a aparente tradução da ordem
Porque o mundo não espera
Espera que a vida siga
E as coisas sejam feitas
Quem ganha a batalha responde pelo estado de saúde mental
Embora a razão esteja em vantagem na maioria das vezes
Há horas que ela nada pode fazer face ao avanço da ansiedade
Ainda que saibamo-la irracional
A ansiedade é uma expectativa que não cessa
Que com nada se satisfaz e a tudo deseja
Mesmo que do quê não tenha exata certeza
É a espera por sabe-se lá o quê
É a angústia do devir
E o atestado da própria impotência
É um não sabe se vai
Ou se fica
Se deixa ir
Ou se luta
É um querer fazer
Aconteça e não acontecer
É o medo do futuro enrijecendo os nervos
Embaçando o pensamento
Esmorecendo a vontade
É parte da triste condição humana
E seu parco poder sobre a ordem do mundo
Sua exígua previdência, sua mísera potência
Sua inconstância e insegurança intrínsecas
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