quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O grande mistério

A verdade é que o mundo é muito
Muito pequeno para os nossos sonhos
A realidade é sórdida e mesquinha
O que fazemos uns aos outros é ultrajante
Mas existe um “mas”, existe um “a despeito disso tudo”
E é aí que reside o segredo do universo que cada um de nós carrega na alma
Em constante rota de colisão uns com os outros
Chispando em big bangs ou se extinguindo em buracos negros
O segredo é a tenacidade da capacidade de sonhar e amar embora quase tudo o que vemos
Sentimos e fazemos seja contrário a essa capacidade
Permanece sempre queimando a chama daquilo que faz de nós humanos
É preciso procurar com muito afinco para encontrar um ato bondoso
Uma história inspiradora, um acontecimento mágico
E a despeito disso, um único ato-história-mágico desses
É capaz de restituir a fé soterrada por décadas
Abaixo de camadas e mais camadas de frustrações e erros
Um amontoado recoberto por uma fina e inquebrantável película de medo e culpa
Uma vida inteira, e dá para contar nos dedos das mãos o que dela fora bom
E inacreditavelmente nós continuamos, impávidos
Para no final, ao arrostar a face pálida e gélida da morte
Termos uma frágil tábua à qual se apegar
E enfrentar a travessia eterna que se inicia depois
Eu só queria entender essa coisa ininteligível
O porquê de tantos sonhos pacíficos se extraviarem
Confusos, nessa tempestade de misérias
E, o que é ainda mais notável
O porquê de permanecermos fieis a eles
Como é possível que façamos tantas coisas belas
Quando tudo o que criamos é grotesco?
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