quarta-feira, 25 de março de 2015

Sobre ser homem

Meu pai jamais me disse
Um eu te amo
Se bem me lembro
Apenas uma única vez
Ele estava bêbado
Momento de fraqueza talvez
Quiçá meu pai pensasse
Que isso faria de mim
Viado, bicha
Ele dizia
Meu pai não me ensinou muita coisa
Mas se concentrou em criar
Um homem
Tal como seu pai havia feito dele um
Homem não chora
Homem bebe
Homem manda
Não obedece
Foi o que ele me deixou de ensinamento
Hoje conseguimos dizer um ao outro
Essa palavra tão embaraçosa
Meio sem jeito, é verdade
Tentamos transmitir esse sentimento
Inconfessável entre dois homens
E ainda – veja só você!
Conseguimos até dar beijo
Pelo telefone
Com a segurança psicológica
Que só a distância física dá

Meus amigos
Não costumavam se abraçar
O certo era só pegar na mão
Munheca firme
Conhece-se o caráter de um homem
Pelo aperto de mão
Coisa que meu pai havia me dito já
Se tivesse abraço
Tinha de vir acompanhado
De um palavrão
“E aí arrombado”
Pra não deixar no ar
De que se tratava
De abraço de macho
Hoje em dia tem abraço
Tem beijo na bochecha
E o bom e velho
Tapinha nas costas
Só não tem colo
Isso não
Demonstrações de carinho
Ainda têm limites
Mas convenhamos
É uma grande evolução
Postar um comentário