quarta-feira, 25 de março de 2015

Angústia

Dentes apertados
Olhos semicerrados
Sob o semblante que pesa
Acima da face crispada
O rosto emoldurado
Da amargura
A garganta arranha
A boca seca
Amarga
Com a fumaça
Do cigarro barato
Desce um trago de cachaça
Rasgando ao meio
A alma
Mata o mal
Junto com o espírito
Dói o estômago
E o fígado
Sintetizando a angústia
Com álcool
Coquetel fatal
Frêmito
Espasmo
Suor frio
O corpo sofre
A doença da mente
Já foi meia garrafa
Vou até o fundo
Desse poço
A torneira pinga
Sobre a louça suja
A banalidade do dia-a-dia
O nó começa na tripa
E termina no peito
Vazio
Oprimindo a respiração
A cabeça ecoa
Um único pensamento
Estado de obsessão
Dedos rijos
Pernas irrequietas
Mas lânguidas
Batucada nervosa
Pra fingir mansidão
Não tenho controle
A janela aberta
Para o abismo iluminado
Da furna urbana
O que é um grito
Contra o alarde
De toda a cidade?
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