quarta-feira, 27 de maio de 2009

A servidão errante

Tristeza é não ter aonde ir
Errante, estamos sempre fugindo,
Voltando, regredindo o devir
Passos, lágrimas e uma história infame


Tantas idas e, afinal, quantos regressos?
Eles trazem em seu esquálido seio,
Indeléveis estigmas impressos
E quando pedem atenção, quê lhe dão?


Balaços, tapas, pontapés e prisão
É a sina que tanto lhe rogaram
Sem culpa, abraça-me a sua dor
Enquanto outros, em seu lugar, gozaram.


Não vou e não fico, paro em lugar algum
Haveria então destino para alguém assim?
O sem identidade, de verdade, nada em comum
Meu tempo é pouco e faço pouco desse ínterim


Melhor seria ser um dos excomungados!
Teria motivo enfim para ser julgado,
Condenado. Porém, não passaria ao largo,
Da história de quem mutila o próprio passado


Veja miserável, és tu o futuro chegado!
Saia da miséria da qual és ainda turiferário
Vou contigo, pois sei que, em meu íntimo,
Sigo-te e tu segues comigo o mesmo caminho.
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