terça-feira, 14 de abril de 2009

Dois amantes que se perderam por aí, como tantos outros...

Costumávamos deitar na varanda lá pelas tantas da madrugada, olhávamos para as estrelas e ficávamos a tecer teorias. Dizíamos: “está vendo aquela estrela? Pois bem, na órbita daquela pequena estrela tem um planeta, muito parecido com o nosso e, nesse exato momento, dois amantes estão, assim como nós, olhando para o céu estrelado e, de todas as estrelas possíveis de se ver, estão olhando para cá, para nosso pequeno sistema solar e dizendo: ‘assim como nós, num pequeno planeta daquela estrela tem um casal olhando para nós dois aqui e desejando que sejamos muito felizes’”.

Naquela época nos sentíamos tão fortes juntos que o mundo era pequeno e o universo era passível de ser conquistado. Éramos tentados então a deixar esse mundinho, queríamos voar por aí, transformar-nos em luz. Quase conseguimos. Mas depois, sem mais nem menos o mundo cresceu, cresceu e ficou tão grande que envergou todo seu peso sobre nossos ombros e agora não conseguimos mais olhar para as estrelas. Na verdade, nem lembramos mais delas. Andamos com passos de anões e orgulho de gigantes. Trabalhamos para plantar novas porcarias na terra, das quais não precisamos, e as nossas antigas histórias que crescem insistentemente feito ervas daninhas, como para nos dizer: “estamos aqui ainda, recorde-me, recorde-me!”, nós as arrancamos e dizemos: “não preciso mais de vocês!”.

Hoje, quando por um acidental resvalo, olha para aquela estrela e penso: “será que os dois amantes estão lá ainda, olhando para nós aqui com ar de reprovação por termos falhado? Será que ficam tristes porque abandonamos o sonho de alcançar as estrelas? Será que ainda torcem por nós?”
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