segunda-feira, 4 de julho de 2011

A paixão de um menino

Lembro-me de um dia em particular
A cúpula azul-clara cintilava no céu,
Tépidos raios solares vinham acariciar
Gentilmente seu corpo dourado de mel


Ela estava deitada, exposta ao sol
A água do rio rorejava pelas coxas,
Artisticamente trabalhadas, sedosas
O rio agitava-se, em êxtase, por ela


Seus pequenos seios, misteriosos,
Rijos; escondido, eu esperava vê-los
Rezava pra que escapulissem, marotos
A perna dobrada, a virilha e seus pêlos


Eu fruía deliciosamente aquela cena
Paciente, esperava, como um caçador,
Por qualquer movimento de seu corpo
Cada curva, por mais recôndita, era perscrutada


Ela se levantou, fez um movimento felino,
Saltou do estaleiro e penetrou nas águas
Era uma sereia, que dançava com o rio
Meus olhos maravilhados, nem piscaram


Nunca mais tornei a vê-la novamente
Acho que desapareceu nas profundezas
Como um boto, lançara seu feitiço
E sumira, deixando só minha imaginação


Eu era criança, mas comecei a aprender
Sobre a paixão, sobre o poder feminino
Esse ser tão cativante quanto misterioso
Ela era menina, mulher e bicho...
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