sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Felicidade (II)

Era feliz
Não porque tivesse muito
Porque nada faltasse
Mas porque bastava-lhe
O pouco que tinha
O pouco é suficiente
Quando é tudo de que se necessita
Era feliz
Não porque não tivesse medo
Culpas e angústias
Mas porque sabia
Que sua fé, sua força
Sua vontade de ser uma melhor pessoa
Era maior que todas as pedras
Juntas
A vida é sofrida
Caminho feito de curvas
Mas não é uma via-cruzes
Nem viemos cá pagar penitência
Era feliz
Porque mesmo a vida machucando
Tinha certeza que uma vida que não machuca
Que não se arrisca
Não vale a pena ser vivida
Por isso tudo
Por ser grato
Com a cota que recebera
E despojado com a parte que ia deixando
Era feliz sem ser
Era feliz estando
E feliz ia passando
Até o dia em que essa palavra
Não fará mais sentido
Nesse dia de serenidade
Felicidade será quase uma matéria
Qualidade do mundo
Natureza pulsante
E não um consolo
Sonho distante
Tristemente
Humano
Postar um comentário