Pare um minuto de seu dia
Para ler uma linda poesia
Quebre esta insana rotina
E faça as pazes com a vida
As palavras, ditas e escritas
São encantadas com magia
E sua mágica é trazer alegria
Para quem vive de desditas
As poesias fazem companhia
São amigas nas horas infindas
Preenchem as vastidões vazias
Alegram com passos de bailarina
Tornam fatos chatos alegorias
Distraem a carrancuda monotonia
Fazem da realidade fantasia
Bordam o sonho com maestria
Unem os extremos de uma linha
Aquietam um coração em disritmia
Põem sentimentos em sintonia
Revivem momentos de nostalgia
Ajudam a suportar a travessia
Alumiam quando já não é de dia
Abrigam durante e após a ventania
Reconstroem uma história em ruínas
Elevam os chãos pontos de vista
Retificam as nossas vãs filosofias
Curam os golpes que a pele não cicatriza
Punem a maldade que nos sevicia
Forram de comida a barriga em carestia
Poesias são como mães enternecidas
Sempre prontas a nos fazer carícias
A nos aconchegar nas noites frias
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Noite, a amante
Eu gosto mesmo é de me perder
De sair por aí sem ter aonde voltar
De procurar sem mais nem porquê
E em teu corpo nu me encontrar
Eu gosto é de beber o sexo da noite
De vertê-la toda na boca até enjoar
De uivar doido à lua feito um coiote
E com teu gozo lúbrico me embriagar
Em meus braços ver a lua deitar ensonada
Já cansada de uma longa noite de farra
Após vagar nua pela rua de madrugada
A noite é a melhor amante de todas
Não nos ferimos com mágoas bobas
E divertimo-nos juntos nas horas boas
De sair por aí sem ter aonde voltar
De procurar sem mais nem porquê
E em teu corpo nu me encontrar
Eu gosto é de beber o sexo da noite
De vertê-la toda na boca até enjoar
De uivar doido à lua feito um coiote
E com teu gozo lúbrico me embriagar
Em meus braços ver a lua deitar ensonada
Já cansada de uma longa noite de farra
Após vagar nua pela rua de madrugada
A noite é a melhor amante de todas
Não nos ferimos com mágoas bobas
E divertimo-nos juntos nas horas boas
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Ode à desordem
Por que continuamos por aí?
Não vemos que assim não há caminho?
Esta estrada não nos leva para longe daqui
Ao contrário, ela só nos faz caminhar em círculos
É preciso aventurar-se fora desses limites pré-definidos
Encompridar o olhar em direção ao infinito
Ao jamais concebido – por medo ou por escrúpulos tolos
É preciso dar a mão a quem vem em sentido oposto
Corajosos visionários que chamamos de loucos
Só porque suas bússolas não apontam ao mesmo norte de todos
Só porque suas vidas expõe a falsidade de nossas pobres certezas
É preciso pôr de cabeça a baixo este mundo de rudezas
A libertação de tudo exige sacrifício e redenção, e não perdão
Exige escolhas impensáveis sustentadas com firmeza
A destruição, à marretadas, destes muros que apartam
A pretexto de nos proteger sabe-se lá de que borrasca
Nosso pior inimigo é interior, é espiritual, somos nós mesmos
São nossos medos os demônios que é preciso arrostar
Só há salvação na recusa absoluta, sem condicionamentos
Nem uma exigência qualquer aceitaremos!
Nenhuma injunção que vier acataremos!
Nem um centímetro sequer recuaremos!
Equilibrar-nos-emos nos temíveis polos e extremos,
E do meio, das ponderações razoáveis, fugiremos
E pouco nos importa o perigo da queda
Não buscaremos acordos, diálogos ou coisa que o valha
É agora ou nunca, é tudo ou nada
Quem mata não morre: ode, ode à desordem!
Não vemos que assim não há caminho?
Esta estrada não nos leva para longe daqui
Ao contrário, ela só nos faz caminhar em círculos
É preciso aventurar-se fora desses limites pré-definidos
Encompridar o olhar em direção ao infinito
Ao jamais concebido – por medo ou por escrúpulos tolos
É preciso dar a mão a quem vem em sentido oposto
Corajosos visionários que chamamos de loucos
Só porque suas bússolas não apontam ao mesmo norte de todos
Só porque suas vidas expõe a falsidade de nossas pobres certezas
É preciso pôr de cabeça a baixo este mundo de rudezas
A libertação de tudo exige sacrifício e redenção, e não perdão
Exige escolhas impensáveis sustentadas com firmeza
A destruição, à marretadas, destes muros que apartam
A pretexto de nos proteger sabe-se lá de que borrasca
Nosso pior inimigo é interior, é espiritual, somos nós mesmos
São nossos medos os demônios que é preciso arrostar
Só há salvação na recusa absoluta, sem condicionamentos
Nem uma exigência qualquer aceitaremos!
Nenhuma injunção que vier acataremos!
Nem um centímetro sequer recuaremos!
Equilibrar-nos-emos nos temíveis polos e extremos,
E do meio, das ponderações razoáveis, fugiremos
E pouco nos importa o perigo da queda
Não buscaremos acordos, diálogos ou coisa que o valha
É agora ou nunca, é tudo ou nada
Quem mata não morre: ode, ode à desordem!
sábado, 27 de julho de 2013
A cirurgia
“O que é mais ridículo: um corpo feio ou a busca obsessiva por um corpo ideal?”, perguntou-se Carolina, num assomo de lucidez que raramente lhe ocorria. Pode-se ignorar a consciência, mas não é possível suprimi-la. E a lucidez é uma arma que o instinto lança mão quando ameaçado por algum perigo iminente.
Instintivamente, o corpo de Carolina buscava preservar-se da agressão que ela, voluntariamente, lhe faria. Afinal, não havia fundamento racional naquilo. Não havia necessidade médica para submeter-se a uma operação de risco daquele tipo; ao contrário, o risco estava precisamente em submeter-se a ela, sem mencionar o lento e penoso processo pós-operatório de recuperação. Seu médico não lhe desaprovara a decisão; como parte de seu papel de médico, contudo, havia-a colocado a par de todas as consequências possíveis implicadas nessa decisão. Naquele momento, Carolina fizera ouvidos moucos às suas palavras, obsedada como estava em emagrecer. Agora, encolhida ali naquela cama de hospital, à uma hora da cirurgia, ela sentia muito medo, e se perguntava se fizera a escolha certa.
Postado no alto, à sua frente, o relógio se arrastava lenta porém inexoravelmente. Ao seu lado, jaziam flores num vaso; votos de boa-sorte. No entorno, um silêncio de morte e aquele odor característico de hospital ressudando por toda parte. Alguém passou em prantos pelo corredor, enquanto, inconsolável, consolava-lhe um ombro amigo. Carolina sentiu a espinha gelar. O que diabos fazia ela naquele lugar?
Tentou resgatar na memória seus motivos, a fim de justificar a si mesma que não era a toa que submetia-se àquele sacrifício voluntário. Ora, que melhor motivo teria do que o fato de ser gorda? E, além de gorda, era baixinha, atarracada, cujos membros roliços pareciam saídos daqueles espelhos fanfarrões dos parques de diversão. Não era como os de algumas de suas amigas, delgadas e esbeltas, cujos braços pendiam suavemente dos ombros elegantes. Detestava sua bunda, seios e coxas. Da barriga, então, é melhor nem falar.
Desde quando, ainda criança, começou a dar atenção às suas formas, e a compará-las com as de outras mulheres, sobretudo às daquelas que a tevê exibe radiantes, Carolina sentia-se horrivelmente feia, desajeita, nada atraente. Conforme crescia, crescia também essa sensação, ao ponto de não poder sair de casa senão com roupas que disfarçassem os quilos em excesso. Comprar roupas lhe pareceu sempre um pesadelo, não uma diversão. Ficar de biquíni em público, então, nem pensar. Apenas a ideia lhe causava vertigem. A adolescência, fase da insegurança por excelência, fora particularmente angustiante. Carolina precisou de psicólogos e remédios para conseguir levar uma vida minimamente normal. Em partes, conseguiu superar o trauma, mas a obsessão com o próprio corpo calou fundo em sua alma.
E o diabo é que Carolina possuía um lindo rosto. Só que, assentado sobre seu volumoso corpo, como se fosse uma cereja apetitosa sobre um bolo disforme, ninguém parecia notar. Ou melhor, antes perscrutavam seu corpo para somente depois reparar-lhe o rosto. Superada as crises da adolescência e conquistada certa segurança e autoestima, Carolina mostrava-se uma pessoa extrovertida, carismática, traço herdado da infância e nunca completamente abafado. Agora, aos quase trinta anos, quem a conhecia logo se encantava com aquele seu sorriso largo. Mas a impressão inicial, baseada em seu corpo, ficava sempre pairando no ar, inscrita nas expressões faciais traídas dos interlocutores, ou assim Carolina imaginava. Embora se considerasse uma pessoa feliz, sentia como se faltasse alguma coisa para o quadro completar-se, algo de indefinido. E era esse vazio que ela pretendia preencher com a operação de redução de estômago.
Agora restava apenas meia hora. Logo a enfermeira adentraria pela porta para levá-la à sala de cirurgia. Enquanto isso a tensão aumentava, fazendo Carolina transpirar pelas mãos e seu coração palpitar desordenadamente. Virou o rosto de lado, procurando com os olhos os olhos da amiga. Deu com eles ternos e apiedados. Esta imaginava o que se passava pela cabeça de Carolina, e sentia pena dela por isto. Mas uma amiga é uma amiga, e por mais que discordasse da decisão de sua decisão, respeitava-a e, como não havia meios de demove-la, apoia-la era o que lhe restara. Ademais, como ela, que estava casada e feliz, poderia condenar a amiga, que nunca havia namorado na vida, por tomar tal decisão drástica? Uma amiga não substitui um companheiro, e jamais substituiria. Se Carolina achava que este era o meio para alcançar a felicidade, tornando-se mais atrativa aos olhos das pessoas, então que assim seja.
Às dez horas em ponto a enfermeira apareceu, acompanhada pelo médico, um sujeito grisalho de meia idade. Ministrada as últimas informações à paciente, com eles lá se foi Carolina. Sua amiga permaneceu alguns minutos a mais no quarto, arrumando seus pertences e deixando-o à espera de Carolina para quando esta regressasse com o estômago reduzido a um copo de café. Dali em diante, adeus aos prazeres gastronômicos da vida. Sua alimentação teria de ser rigidamente controlada, tanto em termos de quantidade, quanto de qualidade e de horário também. Carolina ficaria refém dele para o resto de seus dias, sendo que, ainda por cima, não havia garantia de que ela não voltaria a engordar. Em tese, este tipo de operação deve ser feito como última opção, e jamais com fitos puramente estéticos. Quando se têm dinheiro para pagar, entretanto, as prioridades se invertem, e não é difícil obter o serviço de médicos renomados. Carolina não era rica, mas também não era pobre, e com alguns sacrifícios financeiros foi-lhe possível juntar o dinheiro necessário.
Em três horas apenas Carolina estava de volta ao quarto. Dera tudo certo. Em três dias sairia do hospital, caso tudo corresse bem. E logo poderia voltar à sua vida normal. Mas nada seria como antes. Não apenas porque fisicamente fora alterada. Nem porque seus hábitos alimentares tivessem de ser drasticamente disciplinados. Antes porque sentia que as mudanças externas refletir-se-iam internamente. Com um corpo esbelto, aquele vazio desapareceria, aquela sensação de falta sumiria. Sentir-se-ia mais confiante e desenvolta. Olhar-se-ia no espelho sem raiva ou medo, mas com satisfação e prazer. Usaria as roupas que quisesse. Acima de tudo, as pessoas a olhariam de outra forma, com outros olhos. Não como antes, quando, ao entrar num ambiente público qualquer, podia sentir os olhares de repulsa a pesar sobre ela como chumbo, fazendo-a inevitavelmente evitar encará-los de frente, restringindo-lhe os movimentos por medo de dar qualquer motivo àqueles olhares inquisidores que pareciam dizer: “gorda asquerosa”, “para de comer, sua gorda”, “deve ser virgem, essa jamanta”. Quem sabe agora tivesse coragem até mesmo para abordar um homem solitário nalguma mesa de bar. Ou quem sabe algum homem solitário a abordasse num bar qualquer. Quem sabe? Carolina, satisfeita, sonhava com a vida feliz que o futuro lhe reservava, agora que entraria no mundo maravilhoso das pessoas magras.
O mundo é um livro
O mundo é um livro de crônicas
Recheado de lindas histórias
Iguais as que a minha avó
Contava-me na cozinha
Enquanto fazia pão de ló
É um livro sem-fim a vida
Que cada um escreve um capítulo
A opus magnum da humanidade
É esta literatura coletiva
Que à vista de todos se abre
Sangue e suor são suas tintas
E o cotidiano as páginas
Peço apenas sabedoria e humildade
Para saber ler-lhe as linhas
E uma epígrafe legar à posteridade
Recheado de lindas histórias
Iguais as que a minha avó
Contava-me na cozinha
Enquanto fazia pão de ló
É um livro sem-fim a vida
Que cada um escreve um capítulo
A opus magnum da humanidade
É esta literatura coletiva
Que à vista de todos se abre
Sangue e suor são suas tintas
E o cotidiano as páginas
Peço apenas sabedoria e humildade
Para saber ler-lhe as linhas
E uma epígrafe legar à posteridade
sexta-feira, 26 de julho de 2013
O segredo da vida
Andar em todos os lugares
Sem fincar raiz em nenhum deles
Amar a todos as pessoas
Sem ter de escolher uma apenas
Ser a pessoa que se é
E ser todas elas ao mesmo tempo
Ver com todos os olhos
E não somente com o seu próprio
Ter os pés firmes no solo
Sem tirar a cabeça das nuvens
Ser um ser finito
Enquanto se é um só com o universo
Sem fincar raiz em nenhum deles
Amar a todos as pessoas
Sem ter de escolher uma apenas
Ser a pessoa que se é
E ser todas elas ao mesmo tempo
Ver com todos os olhos
E não somente com o seu próprio
Ter os pés firmes no solo
Sem tirar a cabeça das nuvens
Ser um ser finito
Enquanto se é um só com o universo
quinta-feira, 25 de julho de 2013
O vício da poesia
Escrever poesia virou um vício.
Tudo é motivo, não consigo pensar em mais nada.
E mesmo quando penso em outras coisas a poesia não deixa de pensar meus pensamentos.
Permanece como pano de fundo, poetificando tudo, e em minha mente a ciência e a política de repente se veem relegadas a um quarto escuro.
Não respeita o momento, nem pede permissão para assomar à ribalta do palco da peça que se desenrola em meu teatro mental.
Então deixo de fazer o que estou fazendo e penso: isto daria uma bela poesia!
E paro tudo para pari-la.
Bem no momento – neste momento exato! – em que o inesperado mais esperado em décadas de repente deixa de se fazer esperar para tornar possível a possibilidade de se ver realizado.
No momento em que, ainda sem jeito, saem as massas às ruas para entrar na história.
Em que a palavra de ordem é política, e é ela que dá o tom da crítica.
Bem neste momento eu largo tudo, deixo o concreto mundo, para me refugiar nas searas líricas da poesia.
Bem neste momento, sou só sentimento, sem tempo para racionalizar, quem dirá participar.
Agora que se exige a prática, sou só teoria.
Que se impõem a realidade, sou só fantasia.
Sou só abstrato.
E, qual não é o espanto, quando constato que, isto aqui, que era pra ser um desabafo, virou também poesia.
De fato, a continuar assim, eu próprio tornar-me-ei verso em prosa.
Tudo é motivo, não consigo pensar em mais nada.
E mesmo quando penso em outras coisas a poesia não deixa de pensar meus pensamentos.
Permanece como pano de fundo, poetificando tudo, e em minha mente a ciência e a política de repente se veem relegadas a um quarto escuro.
Não respeita o momento, nem pede permissão para assomar à ribalta do palco da peça que se desenrola em meu teatro mental.
Então deixo de fazer o que estou fazendo e penso: isto daria uma bela poesia!
E paro tudo para pari-la.
Bem no momento – neste momento exato! – em que o inesperado mais esperado em décadas de repente deixa de se fazer esperar para tornar possível a possibilidade de se ver realizado.
No momento em que, ainda sem jeito, saem as massas às ruas para entrar na história.
Em que a palavra de ordem é política, e é ela que dá o tom da crítica.
Bem neste momento eu largo tudo, deixo o concreto mundo, para me refugiar nas searas líricas da poesia.
Bem neste momento, sou só sentimento, sem tempo para racionalizar, quem dirá participar.
Agora que se exige a prática, sou só teoria.
Que se impõem a realidade, sou só fantasia.
Sou só abstrato.
E, qual não é o espanto, quando constato que, isto aqui, que era pra ser um desabafo, virou também poesia.
De fato, a continuar assim, eu próprio tornar-me-ei verso em prosa.
Minha ambição
Minha maior ambição
É nada ambicionar
Senão as coisas do coração
As quais não se pode comprar
Meus sonhos não estão à venda
Não se adquirem no mercado
O que eu tenho não foi comprado
E não se expressa em moedas
Antes está em mim, incorporado
Não está em coisas materiais
Objetivado em mercadorias
Não me interessa bens venais
O que me interessa é saber,
Conhecer; é sabedoria
Que fique claro: ter não é ser
O que me interessa é amar
E ser amado
E isto justifica a minha pressa
Que não é a mesma desta corrida de ratos
A vida é uma só, e é esta
Há de se bebê-la num trago
De fazer dela uma festa
E, ao apagar das luzes,
Dela estar inteiramente embriagado
Sabe o que é estar livre da ambição?
Não ambiciono carros
Sejam novos, sejam importados
O meu, velhinho, serve-me mui bem, obrigado
As vitrines não me despertam atenção
Em verdade, acho-as de extremo mal gosto
Teu tênis novo não me cobiça
Cupidez é um pecado sem perdão
Ostentação, então, me causa ojeriza
Tudo o que me interessa são bons amigos
Que com eles divido tristezas e alegrias
Digo de novo: é amar e ser amado
Tudo isso acompanhado, claro,
De bons livros
Livros, de preferência, usados
É nada ambicionar
Senão as coisas do coração
As quais não se pode comprar
Meus sonhos não estão à venda
Não se adquirem no mercado
O que eu tenho não foi comprado
E não se expressa em moedas
Antes está em mim, incorporado
Não está em coisas materiais
Objetivado em mercadorias
Não me interessa bens venais
O que me interessa é saber,
Conhecer; é sabedoria
Que fique claro: ter não é ser
O que me interessa é amar
E ser amado
E isto justifica a minha pressa
Que não é a mesma desta corrida de ratos
A vida é uma só, e é esta
Há de se bebê-la num trago
De fazer dela uma festa
E, ao apagar das luzes,
Dela estar inteiramente embriagado
Sabe o que é estar livre da ambição?
Não ambiciono carros
Sejam novos, sejam importados
O meu, velhinho, serve-me mui bem, obrigado
As vitrines não me despertam atenção
Em verdade, acho-as de extremo mal gosto
Teu tênis novo não me cobiça
Cupidez é um pecado sem perdão
Ostentação, então, me causa ojeriza
Tudo o que me interessa são bons amigos
Que com eles divido tristezas e alegrias
Digo de novo: é amar e ser amado
Tudo isso acompanhado, claro,
De bons livros
Livros, de preferência, usados
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