Escrever como Fernando Pessoa
Falar de mim, jamais dos outros
Conjurar meus anjos e demônios
Desnudar-me em sentimentos a alma
Mergulhar no profundo sem fim do Eu
No mais íntimo do ser
E me descobrir assim
Pela metade e inteiro
Faltando e completo
Um quebra-cabeça que não se encaixa
Enfim, poema sem métrica, verso sem rima
Canto sem harmonia, dança sem ritmo
Ora, tal qual a vida mesmo
Como Pessoa, falar de mim
Não porque interessa
Não porque importa
Mas porque dentro de mim estou
Falar do que fui, do que nunca serei
Mas também falar do que sou
Que sou eu senão a soma de meus sonhos?
Sonhos que me trouxeram até aqui
E aqui me abandonaram
Ou que eu abandonei
Sonhos que me deram força de início
E me fizeram fraco no fim
Sonhos que me deram sentido
Sem sonhos eu não existo
Mas meus sonhos só por mim existem
Nisso não difiro de ninguém
A vida é essa mistura inconsistente
Sonhos, amores, ódios, planos, promessas
Escrevem histórias, destinos e lembranças
No fundo, somos todos muito parecidos
Mas as diferentes misturas desses ingredientes
Fazem cada um de nós seres único
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Tempos de (in)certezas
Hoje eu acordei confuso, cheio de dúvidas
Levantei incerto e levei minhas incertezas junto
As tarefas são muitas; as garantias, nenhuma
Ao meio dia fugi de um grupo de evidências
Que vinha brandindo óbvias verdades pelas ruas
E desviei de uma afirmação que tentou me asseverar
Soltei uma e outra interrogação por aqui e acolá
Nada que eu pudesse garantir com segurança
Expliquei: eram apenas honestas perguntas
Hesitei quando me apontaram um inequívoco fato
Por um instante abalou-se minha convicção de ser cauto
Mas porque sou incerto, a assertiva aceitei
Só que com reserva e cuidado
Tomaram-me por ignorante, burro, idiota
Que não entende o certo, o notório e o ululante
Vacilante, não pude me decidir quanto ao mais apropriado
Se burro, idiota ou ignorante
Tudo é tão duvidoso, indefinido e ambivalente
Que a única premissa que aceito
É manter em mente meus próprios limites
Juntei prudência, tolerância e transigência
Fiz minha trouxinha de dúvidas e continuei
Verdades eu vou deixando pelo caminho
Na bagagem levo só conhecimento
Levantei incerto e levei minhas incertezas junto
As tarefas são muitas; as garantias, nenhuma
Ao meio dia fugi de um grupo de evidências
Que vinha brandindo óbvias verdades pelas ruas
E desviei de uma afirmação que tentou me asseverar
Soltei uma e outra interrogação por aqui e acolá
Nada que eu pudesse garantir com segurança
Expliquei: eram apenas honestas perguntas
Hesitei quando me apontaram um inequívoco fato
Por um instante abalou-se minha convicção de ser cauto
Mas porque sou incerto, a assertiva aceitei
Só que com reserva e cuidado
Tomaram-me por ignorante, burro, idiota
Que não entende o certo, o notório e o ululante
Vacilante, não pude me decidir quanto ao mais apropriado
Se burro, idiota ou ignorante
Tudo é tão duvidoso, indefinido e ambivalente
Que a única premissa que aceito
É manter em mente meus próprios limites
Juntei prudência, tolerância e transigência
Fiz minha trouxinha de dúvidas e continuei
Verdades eu vou deixando pelo caminho
Na bagagem levo só conhecimento
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Preconceito
Eu estou cheio
De pré-conceitos
Que me deixam estúpido
Quase tudo que apreendo
Cai fora dos meus quadros
Quadrados
Cognitivos
E o que eu entendo?
O que aprendo
De verdadeiro
De novo?
Se tudo que sei
Já sabia a princípio
Eu estou cheio
De tanto preconceito
De negar o que me é alheio
De me afastar do que desconheço
De procurar apenas o afeito
De ser sempre o mesmo
O mesmo pensamento
Quadrado
Fechado
Pequeno
De pré-conceitos
Que me deixam estúpido
Quase tudo que apreendo
Cai fora dos meus quadros
Quadrados
Cognitivos
E o que eu entendo?
O que aprendo
De verdadeiro
De novo?
Se tudo que sei
Já sabia a princípio
Eu estou cheio
De tanto preconceito
De negar o que me é alheio
De me afastar do que desconheço
De procurar apenas o afeito
De ser sempre o mesmo
O mesmo pensamento
Quadrado
Fechado
Pequeno
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Navega
Não posso prever o futuro
Nem dele ter qualquer vislumbre
Ou garantia
Apenas espero, torço e rezo
Hoje, sou todo felicidade
Amanhã, quem sabe
Tudo pode estar perdido
Amanhã, me alcança a tristeza
Depois, quem garante
O mundo de novo rodopia
A única certeza
É que tudo muda
Nada permanece
Como navegantes numa nau
Não se vê além do horizonte
A tempestade pode estar logo à frente
Atravessá-la é questão de fé
E coragem
Porque sempre haverá outros mares
Para cruzar
Nem dele ter qualquer vislumbre
Ou garantia
Apenas espero, torço e rezo
Hoje, sou todo felicidade
Amanhã, quem sabe
Tudo pode estar perdido
Amanhã, me alcança a tristeza
Depois, quem garante
O mundo de novo rodopia
A única certeza
É que tudo muda
Nada permanece
Como navegantes numa nau
Não se vê além do horizonte
A tempestade pode estar logo à frente
Atravessá-la é questão de fé
E coragem
Porque sempre haverá outros mares
Para cruzar
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Poesia aos ultramodernos
No mundo de hoje
Tudo é tão
Efêmero
Incerto
Inseguro
Provisório
Que estamos todos
Abandonados
À própria sorte
À própria solidão
Tudo é tão
Efêmero
Incerto
Inseguro
Provisório
Que estamos todos
Abandonados
À própria sorte
À própria solidão
Encruzilhada
Deste agora
Departem tantos caminhos
Dá-se um giro
Meia-volta
Cambalhota
Ziguezagues
E para onde se estava indo
Não se vai mais
Então dá-se conta
Tudo que era tão certo
Todas aquelas promessas e planos
Eram lembranças
De um futuro que existiu jamais
Senão como sonhos
Um entre tantos caminhos possíveis
Uma entre tantas escolhas erradas
Para se arrepender depois
De cruzada a encruzilhada
Departem tantos caminhos
Dá-se um giro
Meia-volta
Cambalhota
Ziguezagues
E para onde se estava indo
Não se vai mais
Então dá-se conta
Tudo que era tão certo
Todas aquelas promessas e planos
Eram lembranças
De um futuro que existiu jamais
Senão como sonhos
Um entre tantos caminhos possíveis
Uma entre tantas escolhas erradas
Para se arrepender depois
De cruzada a encruzilhada
Aprendizado
No começo
Não era mais do que a pura inocência
Rubra e pulsante
Alegre e vibrante
E então vieram as primeiras agressões
Lembro de sofrer um corte
Pequeno, cirúrgico
Bem no meio do coração
E depois outro
E mais outro
Os cortes foram se acumulando
Deixando todas aquelas marcas
Cicatrizes sob cicatrizes
Disseram-me que tudo ia ficar bem
Que era assim mesmo
Que eu estava aprendendo
Enquanto meu coração lanhado
Ia enrijecendo
Fui aprendendo a suportar
Cinicamente
A não me importar
A fingir que não estava doendo
E fingi tão bem
Que a dor cessou de fato
O vermelho tornou-se acinzentado
O batimento, mecânico
É musculoso
Mas sem graça
Duro e infeliz
E eu nem pergunto mais
O porquê
Foi assim que
Debaixo de todas essas cicatrizes
Eu perdi meu coração
Não era mais do que a pura inocência
Rubra e pulsante
Alegre e vibrante
E então vieram as primeiras agressões
Lembro de sofrer um corte
Pequeno, cirúrgico
Bem no meio do coração
E depois outro
E mais outro
Os cortes foram se acumulando
Deixando todas aquelas marcas
Cicatrizes sob cicatrizes
Disseram-me que tudo ia ficar bem
Que era assim mesmo
Que eu estava aprendendo
Enquanto meu coração lanhado
Ia enrijecendo
Fui aprendendo a suportar
Cinicamente
A não me importar
A fingir que não estava doendo
E fingi tão bem
Que a dor cessou de fato
O vermelho tornou-se acinzentado
O batimento, mecânico
É musculoso
Mas sem graça
Duro e infeliz
E eu nem pergunto mais
O porquê
Foi assim que
Debaixo de todas essas cicatrizes
Eu perdi meu coração
Orgulho
O orgulho é tolo
É egoísta
Sente culpa
E culpa o outro
Mas a si mesmo
Não desculpa
O orgulho é orgulhoso
Pobre, mesquinho e tolo
Por orgulho
Toco fogo no mundo
Saio de casa
Inicio a Terceira Guerra
Mas meus erros
Estes não admito
Meus demônios
Eu não encaro
O orgulho
Não me ensina nada
Vou até às últimas
Falsas consequências
Sendo que bem sei
Que finjo
Minhas certezas
E finjo tão bem
Que nelas acredito
Quantas guerras
Quanto sofrimento
Quantas brigas
Quanto rompimento
Por este estúpido motivo
Suscetível
Melindroso
É compreensível
Orgulho é fraqueza
Muito mais difícil
É ser humilde
É egoísta
Sente culpa
E culpa o outro
Mas a si mesmo
Não desculpa
O orgulho é orgulhoso
Pobre, mesquinho e tolo
Por orgulho
Toco fogo no mundo
Saio de casa
Inicio a Terceira Guerra
Mas meus erros
Estes não admito
Meus demônios
Eu não encaro
O orgulho
Não me ensina nada
Vou até às últimas
Falsas consequências
Sendo que bem sei
Que finjo
Minhas certezas
E finjo tão bem
Que nelas acredito
Quantas guerras
Quanto sofrimento
Quantas brigas
Quanto rompimento
Por este estúpido motivo
Suscetível
Melindroso
É compreensível
Orgulho é fraqueza
Muito mais difícil
É ser humilde
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