Não tenho casa
Porto ou parada
Casa é este colo
Porto é morada
Pois dura pouco
Apenas o tempo
Em que se passa
Se fico
Não é por cansaço
Tampouco preguiça
Conveniência ou egoísmo
É por livre escolha
Se cá estou
É porque a tu me dou
O tempo que permaneço
Então não te ausentes já
Não penses na estrada
Solitária que um dia levar-me-á
A desconhecidas searas
Não penses na grandeza
Incomensurável do mundo
Que perna nenhuma tudo há de correr
E vista há de ver
O que importa somente
É o que os olhos veem
E o coração sente
Neste tempo e lugar presente
terça-feira, 3 de maio de 2016
Poema atrapalhado
Tenho as pernas curtas
Feitas para caminhar
Não para correr
Tenho as mãos pequenas
Feitas para acarinhar
Não para bater
Tenho os pulmões rasos
Bons para respirar
Devagar, sem pressa
O fôlego
É curto
O punho
Brando
O passo
Minúsculo
Mas o peito
Este eu tenho fundo
Um abismo
Prenhe de esperanças e sonhos
Por causa deste coração
Sem cabimento
Me atrapalho todo
Se corro, tropeço
Seguro tudo e
Sem jeito, derrubo
Inspiro o mundo
Me encho
Mais que posso
E sufoco
Feitas para caminhar
Não para correr
Tenho as mãos pequenas
Feitas para acarinhar
Não para bater
Tenho os pulmões rasos
Bons para respirar
Devagar, sem pressa
O fôlego
É curto
O punho
Brando
O passo
Minúsculo
Mas o peito
Este eu tenho fundo
Um abismo
Prenhe de esperanças e sonhos
Por causa deste coração
Sem cabimento
Me atrapalho todo
Se corro, tropeço
Seguro tudo e
Sem jeito, derrubo
Inspiro o mundo
Me encho
Mais que posso
E sufoco
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Ser humano
Da natureza humana
Eis a definição tradicional:
Ser duplo
Cindido
Razão e instinto
Um cérebro racional
Acoplado num corpo animal
Humano bicho
Corpo e natureza
Humano inteligência
Alma e espírito
Banal e extraordinário
Eis a definição tradicional:
Ser duplo
Cindido
Razão e instinto
Um cérebro racional
Acoplado num corpo animal
Humano bicho
Corpo e natureza
Humano inteligência
Alma e espírito
Banal e extraordinário
A miséria da carne
A selvageria
O sublime do pensamento
A civilidade
Definição antiga
Dualista
Sem sentido
A selvageria
O sublime do pensamento
A civilidade
Definição antiga
Dualista
Sem sentido
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Pela nuvem
A nuvem virtual
Traz-me você de volta,
E eu confundo lembrança
Com memória.
Tua presença
(Vívida ou vivida?)
É tão real, mas impalpável,
Incorpórea,
Etérea.
Tal como o agora,
Perde-se num clique
Num bit de notícias
Vindas de além web
Não me entenda mal
É fugaz
Logo você novamente me escapa
Levando consigo nossas memórias
Como nuvens sopradas
Pelo vento inexorável
Isso não me entristece
A forma se perde
Mas eu acho graça
Da certeza que, para todos nós
A vida passa
E há sempre novas histórias
A serem contadas
Feitas de pessoas reais
Que um dia serão níveas nuvens
Flutuando pelo azul do céu
Traz-me você de volta,
E eu confundo lembrança
Com memória.
Tua presença
(Vívida ou vivida?)
É tão real, mas impalpável,
Incorpórea,
Etérea.
Tal como o agora,
Perde-se num clique
Num bit de notícias
Vindas de além web
Não me entenda mal
É fugaz
Logo você novamente me escapa
Levando consigo nossas memórias
Como nuvens sopradas
Pelo vento inexorável
Isso não me entristece
A forma se perde
Mas eu acho graça
Da certeza que, para todos nós
A vida passa
E há sempre novas histórias
A serem contadas
Feitas de pessoas reais
Que um dia serão níveas nuvens
Flutuando pelo azul do céu
quinta-feira, 17 de março de 2016
Imensa mansidão
Não sou fera
Nem bicho
Sou manso
Talvez não tanto pedra
Dura
Impávida
Inflexível
Indiferente
Sou mais como mar manso
Fluído
Plástico
Tolerante
Mas mesmo sereno
Ninguém pensa atravessá-lo
A nado
A mansidão imensa
Sempre vence
O mais forte dos braços
Nem bicho
Sou manso
Talvez não tanto pedra
Dura
Impávida
Inflexível
Indiferente
Sou mais como mar manso
Fluído
Plástico
Tolerante
Mas mesmo sereno
Ninguém pensa atravessá-lo
A nado
A mansidão imensa
Sempre vence
O mais forte dos braços
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
A mãe abandona(da)
Por medo de ser dispensada
Do emprego tão necessitada
A mãe abandona a cria
Recém-nascida
Ao relento da calçada
Desesperada
A mulher grávida
Pariu
Solitária
No quartinho de empregada
Mais uma herdeira da senzala
Mas a patroa
Diz que não viu nada
Pudera
Nove meses e a mulher
Ainda trabalhava
O pai onde estava?
Abortou
Nem bem o óvulo fecundara
Mas só a mulher será culpada
Pela justiça dos homens
Condenada
A criança, coitada
Pelas injustiças do mundo
É quem paga
Do emprego tão necessitada
A mãe abandona a cria
Recém-nascida
Ao relento da calçada
Desesperada
A mulher grávida
Pariu
Solitária
No quartinho de empregada
Mais uma herdeira da senzala
Mas a patroa
Diz que não viu nada
Pudera
Nove meses e a mulher
Ainda trabalhava
O pai onde estava?
Abortou
Nem bem o óvulo fecundara
Mas só a mulher será culpada
Pela justiça dos homens
Condenada
A criança, coitada
Pelas injustiças do mundo
É quem paga
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Balanço dos 30
A 26 dias de completar 30 anos,
Achei oportuno fazer um balanço deste tempo vivido
Tão único, tão singular
Às vésperas do trigésimo aniversário,
Como me sinto?
Primeiro, mais jovem do que nunca
Os anos têm-me rejuvenescido
Tenho fome de vida
E quanto mais eu como
Menos ela me sacia
A dureza da sociedade
Não apagou meus olhos maravilhados de menino
Com tanta beleza e novidade
Que há pra se ver no mundo
Não queixo-me dos anos perdidos
Das besteiras ditas
E dos amores desperdiçados
Se em troca ganhei sabedoria
Aprendi que o objetivo, ilusório
É desimportante
Mais vale o próprio caminho
O ato de caminhar
Compreendi que não se avalia a viagem
Pelo peso da bagagem
A experiência ensina a levar somente o necessário
E com as costas leves
Se vai mais longe
Com o passado fiz a pazes
E do futuro não mais receio
Claro, nem tudo é alegria aos trinta
Mas aprendi a ser eu mesmo
Embora tenha falhado em praticamente tudo
E o resto ainda reste pela metade
Sinto orgulho daquilo que fiz de mim mesmo
Se você pensar nos 30 como o meio
Ele se parece com um fio de navalha
Sobre o qual a gente se equilibra
Entre passado e futuro
Alguns vivem no passado
Outros preferem o futuro
Eu escolho viver o presente
Achei oportuno fazer um balanço deste tempo vivido
Tão único, tão singular
Às vésperas do trigésimo aniversário,
Como me sinto?
Primeiro, mais jovem do que nunca
Os anos têm-me rejuvenescido
Tenho fome de vida
E quanto mais eu como
Menos ela me sacia
A dureza da sociedade
Não apagou meus olhos maravilhados de menino
Com tanta beleza e novidade
Que há pra se ver no mundo
Não queixo-me dos anos perdidos
Das besteiras ditas
E dos amores desperdiçados
Se em troca ganhei sabedoria
Aprendi que o objetivo, ilusório
É desimportante
Mais vale o próprio caminho
O ato de caminhar
Compreendi que não se avalia a viagem
Pelo peso da bagagem
A experiência ensina a levar somente o necessário
E com as costas leves
Se vai mais longe
Com o passado fiz a pazes
E do futuro não mais receio
Claro, nem tudo é alegria aos trinta
Mas aprendi a ser eu mesmo
Embora tenha falhado em praticamente tudo
E o resto ainda reste pela metade
Sinto orgulho daquilo que fiz de mim mesmo
Se você pensar nos 30 como o meio
Ele se parece com um fio de navalha
Sobre o qual a gente se equilibra
Entre passado e futuro
Alguns vivem no passado
Outros preferem o futuro
Eu escolho viver o presente
terça-feira, 2 de junho de 2015
Resumo
Acorda
Levanta
Passa café
Esquenta pão
Come pão
Bebe café
Serve outra xícara
Abre Facebook
Confere e-mail
Fecha tudo
Abre texto
Fecha texto
Abre texto
Fecha texto
Anota
Levanta
Outra xícara
Recomeça
Coloca música
Navega
Vê bobagens
Levanta
Alonga
Faz barra
Faz flexões
Abdominais
Levanta
Passa café
Esquenta pão
Come pão
Bebe café
Serve outra xícara
Abre Facebook
Confere e-mail
Fecha tudo
Abre texto
Fecha texto
Abre texto
Fecha texto
Anota
Levanta
Outra xícara
Recomeça
Coloca música
Navega
Vê bobagens
Levanta
Alonga
Faz barra
Faz flexões
Abdominais
Põe água no fogo
Lava louça
Faz almoço
Come
Assistindo seriado
Toma banho
Passa mais café
Senta
Lê
Estuda
Escreve
Na rua, alguma coisa pra fazer?
Não
Então toca guitarra
Mais barras
Leva a cachorra pra passear
Outro banho
Agora chá
Facebook
E-mail
Passaram-se meia hora
Fecha
Concentra
Lê
Estuda
Escreve
Janta
Mais um pouquinho da mesma coisa
Deita
Confere celular
Dorme
Quando foi que eu passei a ter a vida tão controlada quanto um rato de laboratório?
Ps: as aberturas de Facebook e a navegação em busca de bobagens estão grosseiramente subestimadas.
Lava louça
Faz almoço
Come
Assistindo seriado
Toma banho
Passa mais café
Senta
Lê
Estuda
Escreve
Na rua, alguma coisa pra fazer?
Não
Então toca guitarra
Mais barras
Leva a cachorra pra passear
Outro banho
Agora chá
Passaram-se meia hora
Fecha
Concentra
Lê
Estuda
Escreve
Janta
Mais um pouquinho da mesma coisa
Deita
Confere celular
Dorme
Quando foi que eu passei a ter a vida tão controlada quanto um rato de laboratório?
Ps: as aberturas de Facebook e a navegação em busca de bobagens estão grosseiramente subestimadas.
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