sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Perguntas e respostas

Este mundo não é para entender
E não devemos toma-lo tão a sério
Onde está a graça senão no mistério?
O céu azul é azul por quê?
Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?
Ou seria a cloaca?
Quantos grãos de areia há numa praia?
Por que de dia tem sol e de noite tem lua?
Se há uma resposta, ótimo
Se não, ora, ótimo também
Afinal, respostas são muitas
Encontre uma que lhe satisfaça
Porque o mundo é para se viver
Sem hesitação, sem pejo
O céu é azul porque assim ele é belo
O ovo e a galinha são saborosos, bons de comer
A praia é linda, e a areia sedosa, macia
O sol aquece e ilumina
A lua é mágica e verte poesia
Muito entendimento sem contemplação
Sem experimentação
Não faz bem para o coração
Mas tampouco fâ-lo à razão

Casamento

Tua presença é a minha ausência
Dias a fio de solidão acompanhada
Mas não diria compartilhada
Tua mudez casa com a minha indiferença
E a gente vive a vida assim, levando-a
Arrastada, quase que de forma obrigada
Para parafrasear Manuel Bandeira
Uma vida inteira que poderia ter sido
E não foi – Ah! Não era isso que eu planejara...
Mas casamento não é doença
A família não se nos impõem como preceito divino
São apenas roupas velhas, gastas
Roupas que não nos servem mais
Se não nos é mais possível usá-las
Que andemos então pelados!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Raízes

Se perguntarem por mim
Diga que eu parti
Que fui me enfiar no mato
Procurar minha raiz
Mas eu volto, hei de voltar
Trazendo as bênçãos de Iemanjá
Porque eu não sou daqui
Eu sou de lá, eu sou de lá

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O idiota

Ontem eu era um idiota
E o hoje, eu sou o que?
O idiota de amanhã
Entre o idiota de ontem
E o de amanhã
Há o caminho de uma vida toda
Com seus muitos erros e poucos acertos
E o objetivo de terminá-lo
Menos idiota do que quando o comecei
Não me censurem por ser um idiota hoje
Censurem-me por não ser menos idiota amanhã

domingo, 22 de dezembro de 2013

Presença

Você aí
Eu aqui
E teu cheiro
Em mim
E eu me sinto repleto
De ti
Longe embora tão perto
Porque tão dentro
De mim

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pergunta mais velha do que andar pra trás

Entender não é difícil
Na verdade, é bem fácil:
“Não faças aos outros o que não queres que façam contigo”
Pode algo ser mais simples do que isso?
Princípio categórico, imperativo
Imediatamente evidente
Então por que fazemos o contrário?
Porque é tão complicado
Fazer dessa fraseologia vazia
Uma real filosofia de vida?

Sentimento ruim

Não me venha com essa
De me contar o que você fez
Faz ou deixa de fazer
Não quero saber de você
Não me diga que as coisas são assim mesmo
Com esse ar de superior benevolência
E que, afinal, é bom que assim seja
Já que não era mais pra ser
Nem diga que quer participar da minha vida
Como dois grandes amigos
Porque o tal do sentimento permanece vivo
Na nossa longa história
E porque depois de tanto tempo juntos
É absurda a indiferença
Que precisamos ser maduros
E encarar o fato de frente
Que o que passou, passou
E importa apenas o que restou da gente

Não esfregue sua felicidade
Que pelo visto vai muito bem
Na cara da minha saudade
Não me diga que está bem
Com esse olhar de piedade
Não preciso do seu vintém
Resta-me ainda dignidade
E eu sei mostrar desdém
Com um pouco de vaidade
Sei guardar rancor também
Sai pra lá com essa bondade
Porque por hoje, meu bem
Só tenha uma única vontade
Ver você sofrer também

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Fim

Como dói
Dar-se conta
Da perda
Do fim
Que não tem volta

E falta o ar
Com que respirar
E desaba o chão
Sob os pés
E não mais se vê
É tudo escuridão
Deixa-se de crer
Perde-se a fé
E a razão

Mas como só acaba
Quando termina
A gente continua
Nessa busca
Chamada vida
E, no final
Quem não espera
Encontrar
O que procura?