domingo, 3 de agosto de 2014

Marxismo e ciência

Os marxistas fazem muito pouca ciência. O que não quer dizer que o que fazem não tenha valor ou que tenha valor inferior em relação à ciência (ou que o marxismo seja em si irreconciliável com a ciência ou tenha tornado-se completamente anacrônico). Mas os marxistas se apoiam na autoridade da ciência, e isso eles não fazem, ou fazem muito pouco. Eles respondem essa alegação com uma crítica filosófica contra o empirismo, entendido como método positivista. Brandem a dialética, reiteram alguns princípios quase metafísicas, e fica assim provado que fazem ciência. Primeiro que nem toda tradição teórico-metodológica nas ciências sociais são empiristas/positivistas. Segundo, essa crítica apenas visa justificar e validar a falta de dados nas teorias marxistas, suas generalizações abusivas deduzidas de ideias e não de dados, e sua incapacidade de provar empiricamente alguns pressupostos, como a teoria do valor (por favor, evitemos raciocínios binários: não estou caindo aqui na tese contrária, dos marginalistas). Mas é curioso que, embora os marxistas tenham aversão à fé nos dados demonstrada pelos positivistas, em outros aspectos eles são absolutamente positivistas: creem na validade objetiva absoluta do conhecimento, na autoridade da ciência, sustentam a fé no progresso, na perfectibilidade humana e concebem a história teleologicamente. O núcleo duro de suas teorias, seus pressupostos, remontam ao século XIX, ainda que incorporem dados e fatos contemporâneos.
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