segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma abordagem diferente

Sexta. Cansaço. Volta pra casa. Buzinas, engarrafamentos. Um sujeito me fecha (e eu nem estou no corredor) sem dar seta. Tenho todos os motivos pra xingar a mãe dele (mesmo sabendo que ela não tem nada a ver com isso, porque ofender uma mulher é o que os homens fazem quando querem ofender outros homens). Ao invés disso, tento uma estratégia absurda, radical, inimaginável: argumentar. Emparelho a moto na sua janela e lhe digo que ele não deu seta, que ele tem que dar seta quando vai mudar de faixa (digo isso mesmo sabendo que ele, obviamente, sabe disso tudo, e que não há nenhum segredo ou dificuldade nisso). Incrivelmente, funciona. Ele fica meio contrário, faz cara de quem comeu e não gostou, mas de algum modo admite o erro. Pelo visto, eu não tinha tanto motivo assim pra xingá-lo e arrumar briga. Afinal, todo o mundo está tão cansado quanto eu. Todo mundo quer só chegar em casa depois de uma semana difícil. O Motivo, na verdade, é a justificativa que a gente usa pra justificar nosso comportamento injustificável, como se tivéssemos mais motivos, e consequentemente, mais direitos do que os outros. Xingar e brigar é, na verdade, um simples impulso egoísta e irracional.
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