quarta-feira, 23 de abril de 2014

A marcha conservadora 50 anos depois do golpe

Às vésperas do aniversário de 50 anos do golpe civil-militar que instaurou a ditadura mais terrível que este país já viu, organizou-se passeatas pelas grandes capitais do país que procuraram reeditar a Marcha com Deus pela Família e Liberdade, a qual deu, 50 anos atrás, a confiança aos golpistas para desencadear o golpe em 1 abril de 64. Ao contrário desta, a reedição mostrou-se como farsa, fracassando rotundamente. Entretanto, não creio que o problema acaba por aí. Tal fracasso deu à esquerda socialdemocrata, triunfalista na era pós-Lula, motivo para zombar da insipiente extrema direita brasileira. Triunfalismo e zombaria sempre constituíram condições da cegueira. Se é verdade que apenas poucas dúzias de pessoas compareceram publicamente à passeata, não é menos verdade que uma ampla e heterogênea massa de incógnitos manifestaram um apoio surdo dentro dos espaços privados (e alguns não tão privados assim, como colonistas da grande mídia). Não é difícil encontrar, na mesa de jantar ou nas salas de trabalho, quem defenda a ditadura como meio de combater a corrupção congênita (não vejo como) ou, os mais extremistas e irracionais, como saída para uma sabe-se-lá-qual-ameaça-vermelha. Nossa experiência cotidiana desmente o triunfalismo de um Brasil popular e progressista. Existe uma ampla e disforme massa protofascista mobilizável em torno de ideologias e discursos conservadores e autoritários dependendo da conjuntura e dos sujeitos coletivos que eventualmente surjam. Essa meia-dúzia de gato-pingados podem se transformar numa onda monstruosa. É preciso vigilância e guarda alta sempre!
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