domingo, 9 de fevereiro de 2014

Do amor

Acho muito curioso o medo que as pessoas têm de dizer “eu te amo”. Quando dizem, é como se tirassem um peso enorme das costas (“pronto, falei!”). Quando ouvem, levam um susto tão grande que às vezes podem até inconscientemente se afastar. Ficamos embaraçados ou nos sentimos responsáveis por alguma coisa importante. Em qualquer dos casos, o amor é tido como um desvio da normalidade. Algo raro, que não acontece sempre, e, portanto, muito precioso. Daí também porque seria preciso ter cuidado com o amor. O amor é comedido, é pouco, é sério. Amar é uma responsabilidade. Não se diz essa palavra a alguém sem ter certeza. Quando alguém diz que ama a gente já pensa logo em casamento. E quando pensamos em casamento pensamos em amor pra vida toda, como se só existisse um amor de verdade. Portanto, antes de dizer pra alguém “eu te amo”, temos que ter certeza de que se trata do verdadeiro amor, único e pra vida toda. Nossas reações ao dizer ou ouvir um “eu te amo” supõem esse tipo de crença. Mas essa deveria ser a nossa concepção a propósito do amor? Não é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo? E haveria mal em dizer pra uma pessoa que se conhece há apenas uma semana que a ama? Porque o amor tem de ser comedido, pouco, sério, quando a sua própria natureza nos diz que ele deve ser desbragado, excessivo e alegre? Ao invés de sério, como os adultos, não poderia ser brincalhão, como as crianças? Ao invés de precioso, como um diamante belo e inútil, o amor não pode ser banal, como a água que refresca e sustenta a vida?
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