sábado, 18 de janeiro de 2014

Sobre o tempo

Curiosa a nossa expressão “perder tempo”. Ninguém gosta e ninguém quer perder tempo. Mas por trás dessa expressão encontram-se algumas ideias básicas sobre as quais nem sempre estamos conscientes. Ideias sobre o que é o tempo e sobre com que é bom ou ruim gastá-lo. Se, atrasado para o trabalho, eu paro para ver o nascer do sol ou algum músico de rua, estou perdendo tempo? Se, voltando para casa, desvio meu caminho para visitar um velho amigo, estou perdendo tempo? Claro, essas são situações banais, para as quais as consequentes repostas podem variar muito de acordo com as circunstâncias. Mas o mesmo questionamento vale para espaços de tempo mais amplos. Se, ao terminar o colégio, não ingresso de imediato na faculdade; se ao invés de quatro anos levo sete para concluí-la; se, após diplomar-me, escolho não procurar trabalho e resolvo viajar pela América Latina, estou perdendo tempo? Claro, também aqui a escolha pode variar de acordo com as circunstâncias e as condições de cada um. Contudo, o ponto aqui é: porque a pressa? O que nos faz pensar que a vida é uma competição? A onde queremos chegar com tudo isso? Estou plenamente consciente das minhas escolhas? Quero dizer, se eu soubesse como o mundo é vasto, belo e excitante, ainda assim escolheria ter pressa para fixar raízes, comprar uma casa, fazer carreira no trabalho?
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