sábado, 22 de junho de 2013

Sobre a Carta aberta do Levante à presidente Dilma

Camaradas, o momento é de união, e não de disputa de projetos. Mas não pude deixar passar em brando a Carta aberta do Levante à presidente Dilma. Não vou comentá-la ponto a ponto. Trata-se de um equívoco do começo ao fim. Tenho medo de que, diante da perda de legitimidade do governo federal, ela sinalize para um alinhamento ainda maior do Levante e de outras organizações e entidades de classe (que assinam também a carta) com o bloco governista com vistas a garantir a eleição de 2014. Isso é insistir no mesmo erro no qual a maioria da esquerda vem insistindo nos últimos 10 anos. Se o acirramento da luta de classes deixou alguma coisa absolutamente clara foi a verdadeira natureza do petismo. Se havia diferenças entre oposição e situação, não há agora mais nenhuma (NENHUMA!). Basta ver como a prefeitura recém-eleita se comportou em São Paulo: quebrou promessa de campanha e aumentou a tarifa, não dialogou com o MPL, nem por um segundo colocou em questão o modelo de transporte público privatista, apoiou a repressão do governo estadual contra a população; e tudo isso foi coroado com Haddad e Alckmin lado a lado na coletiva de imprensa em que anunciaram a redução da tarifa. E o governo federal? Até a manhã da terça-feira desta semana, a única declaração do governo federal havia sido a do ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que ofereceu ao governo tucano de São Paulo a ajuda da Polícia Federal e da ABIN para que ele “lidasse” com as manifestações. Aí me aparece a Dilma na terça-feira, com a maior cara de pau, dizendo que o Brasil havia acordado mais forte, que as manifestações eram pacíficas e democráticas, que era preciso ouvir a voz das ruas, mas que isso não podia estragar a festa da Copa! Um oportunismo de fazer inveja a políticos como o Maluf, que, aliás, hoje integra a base governista. Os militantes sinceros que ainda apoiam o PT se dizem temerosos de que, sem esse apoio, o governo federal volte para as mãos dos tucanos. Ficam, assim, refém do “menos pior”. Não existe “menos pior”. Entre PT e PSDB, entre situação e oposição, não há diferença alguma. Ao comprar esse discurso do “menos pior”, os antigovernistas que chamam por um voto crítico na Dilma estão ajudando o PT na tarefa que ele vem desenvolvendo desde 2002 sobretudo; isto é: desmobilizar, desorganizar e cooptar os movimentos sociais, sindicais e partidários de esquerda. Agora é a hora de retirar todo apoio ao PT e ao governo federal, e não aumentar esse apoio. Agora é hora de nos organizarmos por fora das entidades de classe aparelhadas pelo PT. O momento não podia ser mais propício, e essa tomada de posição não podia ser mais necessária.
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