quarta-feira, 8 de maio de 2013

A arte de rir de nós mesmos

Vivemos numa sociedade massificada (o que talvez não é a mesma coisa que uma sociedade de massas). Somos massa, mas menos uma massa heterogênea e diversa do que uma massa homogênea, monolítica e monocromática. ou, ao menos, a tendência que está dada vai nessa direção.

A massificação é uma consequência necessária da sociedade de massas ou ela pode ser evitada? Seja como for, é bom que aprendamos a fugir à massificação, porque até o momento a tendência geral é de que a sociedade contemporânea será cada vez mais de massas.

A história é prenhe de paradoxos: o capitalismo tanto inaugura o tempo do indivíduo e do privado, contra o coletivo e o público, quanto insere esse indivíduo no interior de uma massa disforme que ele mesmo engendra. Talvez a sátira sirva bem à finalidade de problematizar essa deprimente condição moderna. Então, vamos aprender a nos rir de nós mesmos?

Dá próxima vez que caçoares de alguém que se veste de forma diferente da tua, na contracorrente da moda, ria-se dela, mas sobretudo ria-se de si mesmo, da tua falta de personalidade e de identidade próprias.

Quando encontrares com alguém que tenha comportamentos e hábitos distintos dos teus, fique à vontade para se rir dela, mas lembre-se que provavelmente essa pessoa se sente muito mais livre e segura com a sua própria maneira de ser e estar no mundo do que tu, que, ao adotar a forma de ser e estar convencional, tradicional, imposta, nem ao menos sabes porque age assim ou assado e que, portanto, faz com que se sintas um estranho dentro de si mesmo.

Quando presenciares o infortúnio alheio, tudo bem sentir-se satisfeito por não ter sido tu o desgraçado, mas não se esqueça de inflexionar o dedo que apontas a outrem para si mesmo e lembrar que aquele infortunado ao menos tem a graça de ser mil vezes mais corajoso do que tu, que não quebra a cara mas também não tem os colhões necessários para tentar a sorte.

Ria-se dos outros, mas lembre-se que tu não existe sem eles, e que, portanto, "eles" não são senão uma espelho do que es "tu".
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