terça-feira, 23 de abril de 2013

Paralelos entre Hitler e Feliciano


Um dos aspectos da cultura e da ideologia nazistas, dentro da temática família, gênero e sexualidade, e que se aproxima muito dos discursos que encontramos entre os neopentecostais, tais como Marcos Feliciano, era a anatematização e a interdição da homossexualidade. Esse anátema e esse interdito, sem dúvida, não é exclusividade de ambos os grupos, na medida em que é também partilhado por outros grupos, e em outros tempos históricos. Façamos aqui, entretanto, uma aproximação entre estes a partir de uma ideia manifestada por Feliciano nas suas pregações religiosas: tanto para ele, quanto para Hitler, a proibição da prática homossexual tem finalidades práticas (embora, evidentemente, derive também de concepções morais ou moralistas baseadas na ideia de que a heterossexualidade é normal porque natural, e de que, consequentemente, a homossexualidade é desvio e depravação): a finalidade prática a que Feliciano se refere é a reprodução. Ou seja, a homossexualidade deve ser combatida porque atenta contra a necessidade básica de reprodução biológica da espécie. Supõe-se, portanto, que, na visão de mundo felicianesca, o sexo serve apenas à reprodução, jamais à libido, à socialização, ao jogo, etc. Esse mesmo discurso podemos encontrar na Alemanha nazista: a educação reservada às mulheres na Alemanha de Hitler imputava-lhes o papel de mãe e reprodutora da nação ariana. O corolário disso era que o sexo entre gêneros idênticos, portanto, devia ser combatido porque ele prejudica a função reprodutora que se atribui a ele. É exatamente este o mesmo pretexto dado por Feliciano para repudiar a homossexualidade.
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