quarta-feira, 10 de abril de 2013

O paradoxo da cultura de massas

A cultura de massas, o produto necessário da indústria cultural, é um paradoxo da contemporaneidade que expressa perfeitamente a natureza contraditória do ser social e, mais concretamente, dos processos históricos capitalistas: ao mesmo tempo em que massifica, homogeneíza, unifica, planifica gostos, valores, ideias, práticas, ela também fragmenta, separa, dispersa sem deixar de dissolver a massa numa solução homogênea – portanto, permanece a homogeneização, cujos elementos, no entanto, estão dispersos: a massa torna-se, assim, uma massa de indivíduos isolados, onde todos pensam de forma igual mas sem estabelecerem comunicações entre si, a não ser a comunicação básica e que especifica a própria natureza da sociabilidade capitalista, ou seja, a comunicação no mercado entre agentes portadores de mercadorias, uma comunicação que só pode estar baseada na compra e venda. Esse paradoxo – uma massa que não é uma massa; uma massa de indivíduos isolados e incomunicantes – é ao mesmo tempo consequência e pressuposto da indústria cultural: ao mesmo tempo em que a massificação é necessária para a realização da forma mercadoria (produzida e vendida em massas cada vez maiores na busca incessante da ampliação da margem de lucro), a fragmentação da massa é uma consequência da própria forma mercadoria, porquanto o modo como é distribuída está determinado pela apropriação privada e não social – assim como acontece com os trabalhadores. Mas, para além da forma, há uma causa mais concreta que remete ao conteúdo da mercadoria cultura: ela é o veículo da ideologia e dos ideais burgueses, cujos princípios básicos são o individualismo, a competição, etc. Esses princípios constituem um complexo de valores que são veiculados pela mercadoria cultura enquanto forma. O resultado (a consequência) é a fragmentação da massa em mônadas estanques sem que ela deixe, contudo, de ser massa.
Postar um comentário