terça-feira, 9 de abril de 2013

O fascismo enquanto expressão do capital monopolista

A tese marxista sobre o fascismo diz que sua causa principal deve ser procurada no estágio imperialista e monopolista em que se encontrava o capitalismo europeu na primeira metade do século XX. Essa tese não explica absolutamente nada: limita-se a registrar o contexto histórico no qual o fenômeno se desenvolveu. Por certo, esse fenômeno e as suas causas não são indiferentes ao contexto no qual se desenvolvem. Mas é cientificamente incorreto saltar do contexto para as causas, identificando ambos. Se isso fosse possível, praticamente todo fenômeno político, social, econômico e cultural do século XX poderia ser explicado em função da centralização do capital em poucas mãos e da participação do Estado como garantidor desse processo, de modo que toda a história do século XX poderia ser escrita em algumas páginas. Quem nos dera fosse simples assim! Não à toa, a grande maioria dos marxistas ainda explica uma variegada gama de fenômenos sociais, por mais recentes e complexos que sejam, em termos de imperialismo e monopolização do capital. Que tais processos estejam presentes na constituição de um fenômeno político, nas relações entre nações centrais e periféricas por exemplo, isto sabemos de cor. Contudo, estão presentes enquanto premissas, às vezes implícitas, às vezes explícitas; às vezes se investindo do papel principal, às vezes de um papel secundário, ou mesmo terciário. Seria um procedimento logicamente incorreto tomar as causas de um fenômeno pelas premissas que as tornam (as causas) possível. A tese em questão não serve nem mesmo para explicar a natureza específica do fascismo em relação às outras formas políticas autoritárias que surgiram no âmbito do Estado burguês liberal-democrático, como o bonapartismo, a ditadura militar, etc., uma vez que o século XX, o século imperialista e monopolista, deu lugar a uma série de regimes autoritários sem que seja possível classifica-los todos como fascistas. Note-se que quando digo que a tese marxista clássica sobre o fascismo não explica absolutamente nada, não quero me fazer entender literalmente: evidentemente, as relações de classe, as necessidades expansionistas do capital, a abdicação do poder político pela burguesia, são elementos importantes que constituem um momento da explicação. A explicação global, entretanto, não é redutível a ele.
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