quarta-feira, 10 de abril de 2013

A relação entre cultura e política para o pensamento revolucionário

Uma das questões mais urgentes a ser tratada pelos partidos socialistas e revolucionários é a relação entre política e cultura. De modo geral, essa questão sempre foi tratada de forma dissociada em função da premissa economicista que durante muito tempo norteou a estratégia dos movimentos trabalhistas e dos partidos marxistas: primeiro mudar as relações sociais – no preciso sentido marxista de “relações sociais de produção” – para depois criar o novo “homem” (termo usado na época e que vem perdendo o significado entre nós; leia, em seu lugar: humanos, seres humanos, ser social, etc,), ou seja, primeiro mudar a economia para depois mudar a cultura. Nessa estratégia a política entrava apenas como meio e suporte para a transformação socioeconômica. Tal separação esquemática e formalista entre as esferas da política, da economia e da cultura, assentada na teoria pseudodialética da relação estrutura/superestrutura, não era senão uma reprodução, ao nível dos partidos e da consciência de classe dos trabalhadores, da própria estrutura ideológica que emana da sociedade capitalista, onde aparentemente reina uma separação precisa e funcional entre as diversas esferas que compõem uma sociedade, notadamente entre a esfera econômica e política, mas substancialmente também em relação à esfera da cultura. É o arcabouço da sociedade capitalista que cria a ilusão de que política e economia nada têm a ver uma com a outra, ou, se têm, trata-se de uma relação cuja necessidade é externa a elas e não interna. Interiorizado esse discurso pelos partidos socialistas/comunistas revolucionários, estava selado a caminho de enormes erros em que incorreria o movimento político da classe trabalhadora ao longo de todo o século XX. Os chamados novos movimentos sociais têm o mérito de, justamente, trazer essa questão à baila, ainda que de modo inconsciente e não sistematizado, levantando uma ponte entre política e cultura. Assim, muitas das formas de ação política desses movimentos não se fazem apenas em cima de palanques, através de agitações na porta de fábricas ou panfletagens pelas ruas, mas através de jogos, brincadeiras e, o que é ainda mais notável, através da arte, onde a dramaturgia exerce papel de primeira ordem, como é o caso das intervenções teatrais durante atos e passeatas. Podemos encontrar outro exemplo no MST, com suas místicas, uma forma de integração coletiva dos militantes e de aprendizado. Pichações, lambe-lambes, canções, também podem ser lembrados, assim como as manifestações artísticas possibilitadas pelas tecnologias mais recentes, como a produção de vídeos na internet. É essencial darmos impulso a essas novas práticas, aprofundando a ponte entre política e cultura, e criando, desde já, novas formas de sociabilização.
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