segunda-feira, 25 de março de 2013

Fascismo: ontem e hoje

Se o fascismo de ontem - o fascismo clássico - procurava mostrar-se como alternativa nova, como terceira via (ao liberalismo e ao comunismo), revestindo-se, para tanto, com uma fina camada de verniz popular e trabalhista (apropriando-se de algumas das bandeiras socialistas), o que, evidentemente, não passava de demagogia, o fascismo de hoje (neofascistas, protofascistas, fascistóides) não tem nem mesmo o cuidado dessa preocupação: afirma-se abertamente em prol de um passado que, sendo muitos de seus partidários jovens, a maioria nem mesmo chegou a conhecer pessoalmente. A questão não é, por óbvio, terem ou não vivenciado a formação social a qual pretendem regredir, mas a aversão manifesta pelo novo e a idealização do passado. Daí as tentativas de reler a história sob o ponto dos criminosos; daí as tentativas de resgatar termos, conceitos e ideias enterrados juntamente com o fascismo clássico. O sentimento elitista, a nostalgia autocrática, o culto à violência, a filosofia irracionalista, são alguns dos elementos ideológicos dos fascismos, de ontem e de hoje, mas que hoje, à diferença de ontem, surgem como farsa e não como tragédia apenas. A farsa não é menos trágica por isso. 
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