sábado, 2 de fevereiro de 2013

Renan Calheiros novamente eleito à presidência do Senado

Então o Renan Calhorda foi eleito presidente da excelsa Casa do Povo? Ora, conhecendo o fisiologismo e as relações de compadrio que impera na política brasileira, tal resulto era já esperado. Não há novidade nisso. Basta lembrar que quem lhe passa a cadeira da presidência é ninguém menos que José Sarney.

Calheiros já havia sido presidente da Casa (que, conquanto administrada em nome "do" povo, de "para" o povo não tem nada), renunciando em 2007 após uma série de escândalos e denúncias envolvimento sua pessoa: o ex-novo-presidente teria tido as despesas de seu caso extraconjugal bancadas por lobista (e por despesas entenda a pensão paga à amante); teria feito tráfico de influência para a Schincariol; teria comprado rádios e jornais em Alagoas com a ajuda de laranjas; teria desviado verba de ministérios sob o comando do PMDB; teria espionado senadores da oposição (sabe como é, deve-se estar preparado para jogar bosta no ventilador quando alguém descobre a sujeira debaixo do tapete). Como era de esperar, Renan foi absolvido no Congresso, embora tenha acabado renunciando à presidência como forma de evitar a cassação. Até hoje esses inquéritos correm na justiça. Mas há mais: nos últimos dias vieram à tona novas acusações, desta vez de crime ambiental. Além disso, parece que a velhacaria é uma qualidade hereditária: seu filho deputado também está sendo investigado por desvio em verbas destinadas a merenda escolar. Quão baixo, vil e sórdido é preciso ser para roubar comida de crianças? Uma modalidade de corrupção, aliás, muita difundida entre os gatunos públicos brasileiros.

Enfim, lembremos das caraterísticas básicos do PMDB: trata-se de um partido fisiologista, isto é, que usa a máquina pública para satisfazer interesses pessoais; que se alia com qualquer um que estiver no poder se isso se traduzir em prebendas; que usa seu tamanho e, consequentemente, o poder que detém como moeda de troca; etc. Mas essas características não são, absolutamente, exclusividade do PMDB. O PT, por exemplo, não fica atrás. A começar pela aliança fundamental entre ambos. Quando Renan Caiu, em 2007, o presidente Lula limitou-se a dizer que o que importava é que o Congresso voltasse à normalidade para que pudesse instituir as leis tão importantes ao país. Ora, a corrupção, a prevaricação, o tráfico de influência compõem a própria normalidade do Congresso! E, efetivamente, ele voltou à normalidade. Voltou à normalidade para aprovar as leis que tão importância têm aos grandes capitalistas e latifundiários, nacionais e estrangeiros. Agora, a presidente Dilma repete o mesmo gesto esquivo e, por isso mesmo, condescendente do ex-presidente: parabeniza Renan pela vitória.

O Legislativo brasileiro, bem como virtualmente todos os Legislativos do mundo, é um balcão de negócios, um antro de corrupção e promiscuidade abençoado pela impunidade e pela cordialidade entre compadres. Com efeito, o Congresso exerce duas funções "extraoficiais": serve para satisfazer os interesses particulares e imediatos de políticos e partidos; e serve para legislar em nome da (e para a) burguesia e da manutenção da ordem burguesa. O problema não está nesse ou naquele indivíduo, neste ou naquele partido. É a própria lógica dessa democracia burguesa formal que permite tais aberrações éticas. Todos os partidos do Congresso, inclusive o PSOL, estão condenados. Atribuir a culpa desse estado de coisas à ignorância e indiferença do eleitor é fugir das verdadeiras da causas do problema e é fazer o jogo dos que não desejam mudanças concretas, dos que, ainda que a desejem, acreditam na eficácia da democracia representativa, ou dos que, ao menos, não acreditam que outra fórmula seja possível. Somente quando a administração da res publica for feita pelo povo (e quando digo povo me refiro aos trabalhadores), através de organizações de base, será possível criar condições para a moralidade política. Até lá, seremos reféns de Calheiros e Sarneys.
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