terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Descaminhos da Revolução Russa: vanguarda e burocratização

Os descaminhos trilhados pela Revolução Russa já nos primeiros anos de organização do Estado soviético parecem deixar claro o quão perigoso é um processo revolucionário feito à revelia das bases, ou seja, levado a cabo por uma vanguarda partidária sem participação das massas. Uma série de fatores levaram à traição da revolução de outubro. Para além das características sociais específicas de uma Rússia monárquica e feudal, talvez a própria concepção estratégica dos bolcheviques tenham, também, levado aos problemas que hoje sabemos terem sido o malogro da revolução. Mesmo escolhendo um caminho errado (descontadas as exigências imperativas da conjuntura e que impunham limites à práxis), Lênin tinha, desde o início da revolução, consciência dos perigosos implicados pela burocratização. Contudo, foi incapaz de reverter seus efeitos nefastos. As bases não participaram ativamente da revolução (a palavra de ordem "todo poder aos sovietes" não passou de um anelo). O partido bolchevique, que era minúsculo em 1917, começou a se agigantar rapidamente com a tomada do poder. Esses quadros não foram preenchidos por trabalhadores (o que, de resto, não resolveria o problema: somente a substituição da burocracia estatal pela auto-organização dos trabalhadores nos sovietes poderia impedir o processo de cristalização do poder político na cúpula do partido), mas antes por antigos setores da aristocracia czarista ligados à administração pública. Tomar o poder não basta. Uma vanguarda descolada da base é um erro histórico que não podemos mais cometer. Na verdade, a vanguarda deve ser a própria classe, auto-organizada e autoconsciente.

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