quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Todo apoio à luta dos trabalhadores da GM!

Vejam aí o grotesco editorial do Estadão sobre a ameaça de greve do sindicado dos metalúrgicos de S. J. dos Campos em solidariedade aos quase dois mil trabalhadores da GM ameaçados de demissão pela empresa.

Exemplo típico de como pensa a direita burguesa, o editorial manifesta completamente seu repúdio à greve, e urge o sindicato, acusado de "radicalismo" (eufemismo para "combatividade intransigente na defesa dos interesses dos trabalhadores"), a ser mais como outros sindicados, tidos como modelo pela sua passividade em relação às pressões e imposições da burguesia, tal como o sindicado dos metalúrgicos do ABC, por exemplo, governistas e aparelhados.

O editorialista fala de uma nova situação na economia mundial, à qual não há escapatória: todos devem se ajustar à ela, como se tal nova situação não expressasse uma velha lógica capitalista: reduzir custos, aumentar a produtividade, desorganizar e aumentar a exploração da força de trabalho. Eis aí uma conhecida máxima liberal: operar a economia é uma atividade meramente técnica, de modo que são apenas as ideologias radicalistas que impulsionam os trabalhadores ao combate e impedem-nos de ver que azeitar a máquina econômica corretamente é do interesse de ambos, empregadores e empregados. Luta de classes é uma ficção radical demais, na cabeça desses liberais.

Nesse sentido, "Mudanças como a adoção de jornadas diferenciadas [leia-se: flexibilização e precarização das relações trabalhistas; lembrando que, neste momento, os direitos trabalhistas estão sob ataque com a lei de Acordo Coletivo Especial (ACE)], revisão dos padrões de remuneração [leia-se: diminuição salarial e/ou perda na participação dos lucros], definição de novos benefícios e responsabilidades" devem ser aceitas pelos trabalhadores em nome de seus próprios interesses! Todas essas mudanças (que preferimos chamar de ataque aos direitos trabalhistas), diz a imprensa conservadora, "fazem parte dos temas que precisam ser discutidos com serenidade [sic!] por trabalhadores e empresas, para que se preservem as fábricas sem impor perdas aos empregados". Discutir com serenidade!

O que o editorialista conscientemente omite é que os quase dois mil trabalhadores hoje em lay off (afastamento do trabalho), que eram para ser demitidos no ano passado, permaneceram empregados não por força de uma "discussão serena" com o patronato, mas devido à luta dos sindicalistas. Além disso, sob essa ladainha da reconfiguração da economia mundial, e das necessidades que tal reconfiguração impõe às indústrias, esconde-se o fato de que a indústria automotiva brasileira, impulsiona por uma política de expansão do consumo, bate recordes atrás de recordes de produção e lucratividade. E isso devido ao protecionismo do governo federal, com seus inúmeros exemplos de renúncia fiscal.

Então vejamos: as indústrias automotivas batem recordes de produção, venda e lucro, e ainda ganham com a renúncia fiscal do governo, mas isso não parece ser suficiente: na busca imperturbável pela competitividade, o santo graal do neoliberalismo, a GM, não satisfeita com as vantagens que encontra no Brasil, ainda quer demitir quase dois mil trabalhadores. Isso é, evidentemente, inaceitável, e não é preciso ser militante do PSTU e sindicalista do sindicato em questão para o perceber. Um mínimo de senso econômico social-democrático já seria suficiente, algo que a imprensa subserviente aos interesses do capital estrangeiro não sabe o que é.

Todo apoio à luta dos trabalhadores da GM! Pela proibição legal das demissões em empresas que se beneficiam da renúncia fiscal governamental! Contra a ACE!
Postar um comentário