terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A PM paulistana tem licença para matar

A polícia de São Paulo não é James Bond mas tem licença para matar; e digo "licença" em termos literais: como disse o governa-dor Alckmin, legitimando a atuação da PM: "quem não reagiu está vivo". Pois bem, o modus operandi dos chacinadores na capital paulista pouco tem haver com "reação": trata-se de grupos de extermínio, formados por integrantes ou ex-integrantes da corporação militar do estado, cuja atuação impune e, na prática, acobertada pelas instituições públicas conferem-lhes a tal da "licença para matar". Para usar um bordão bem conhecido: isso em pleno século XXI! E, assim como o agente 007 no filme em questão, os policiais que assassinaram 7 pessoas em Campo Limpo, no último dia 4, não estavam atrás de outra coisa senão vingança. Vingança motivada por uma pequeníssima descontinuidade na cadeia de impunidade, quando 5 membros da corporação foram presos acusados de participar da execução do servente de pedreiro Paulo Batista do Nascimento, morador de uma casa em frente ao bar onde ocorreu a chacina. Coincidência? A vida está cheia de coincidências, entende-as quem sabe ver através delas. A SSP de São Paulo não confirmou, mas a delegacia civil, antes de voltar atrás, havia dito que entre os mortos está (adivinhem!) o cidadão que filmou a execução, peça fundamental na condenação dos envolvidos. Se isso não é licença para matar não sei o que é. Ademais, os 14 homens que invadiram o bar e chacinaram 7 pessoas inocentes sabem muito bem que seus amigos homicidas não ficarão presos por muito tempo. A lógica é a mesma desde os tempos do Brasil-colônia ou do Império ou da Velha República, etc.: os burgueses/coronéis não são presos quando mandam matar, e seus capatazes/policiais também não. Para ser preso neste país tem de ser preto e pobre. O membros do poder público prometem investigação e punição, nas quais ninguém em sã consciência acredita. Enquanto isso, quem não reagir seguirá morrendo pelas periferias de São Paulo.
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