quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A medicina moderna e o automóvel

Segundo Weber, a ideia de que a modernidade, com a sua ciência, sua racionalidade e seu desencantamento do mundo, implica em um maior conhecimento da realidade natural e social por parte dos indivíduos é equivocada; o oposto é que é verdadeiro, ou seja, diferentemente das sociedades naturais (uma tribo indígena, por exemplo), temos pouco ou nenhum conhecimento sobre a realidade que nos cerca, mas agimos em conformidade com a confiança que em seu funcionamento depositamos. Não faço ideia de como a internet funciona, mas sei que ela funciona e eu a utilizo; não sei porque e como um avião voa, mas nem por isso deixo de voar; a confiança na ciência basta. Por isso, somos obrigados a confiar nos especialistas, nos técnicos, nos cientistas. Até o tempo de nossos avós, ainda havia conhecimento de medicinas naturais; hoje, para qualquer problema bobo, precisamos consultar um médico e tomar remédio cuja cura é mais duvidosa do que a própria doença que ele combate. Não que não precisamos da medicina moderna. Os indígenas não sabiam fazer transplante de coração ou operar um aneurisma. Mas a medicina moderna e as drogas foram banalizadas, e essa banalização tem a ver com mercado e lucro. Para que cuidar da saúde se você pode tomar um remédio depois? Além disso, tudo o que é medicina natural é condenado pela "ciência", essa ciência a serviço de grandes indústrias farmacêuticas. E como não temos mais o conhecimento necessário sobre a realidade que nos cerca, como não sabemos mais curar doenças triviais com remédios caseiros e naturais, dependemos do médico e da farmácia para tudo, até para sarar uma gripe. Sob essa perspectiva, você e eu não somos muito diferentes de um carro. Assim como a gente depende dos conhecimentos de um mecânico para consertar qualquer defeito que eventualmente nele surja, dependemos do médico para sanar até uma unha encravada. Se você tem dinheiro, tranquilo, mas se você é um pobre-diabo dependente do SUS a coisa se complica.
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