quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sobre a condenação de Dirceu e Genoino

Quanto ao julgamento do chamado mensalão, e à condenação de membros da cúpula petista, é preciso, para ser justo, desmistificar dois discursos, o do PT e de seus aliados, o outro da oposição e sua aliada midiática.

Em primeiro lugar, se por um lado não há provas suficientes para sustentar as condenações, ao menos não para os "cabeças" do mensalão, Dirceu e Genoino, é evidente que o mensalão não é uma ficção da direita golpista, tal como o PT procura fazer crer. O próprio Delúbio tentou assumir a culpa sozinho, e o PT teve de sacrificar quem não deu para salvar e, assim, livrar a cara do partido e do ex-presidente. Nesse sentido, a condenação é correta, embora em termos estritamente jurídicos fica difícil arrimar a condenação de Dirceu e Genoino com base no "ele não poderia não saber", ou no "Delúbio não é inteligente o bastante para armar tudo sozinho". 

Em segundo lugar, o modo como foi conduzido esse julgamento foi extremamente suspeito, não apenas pela coincidência com o período eleitoral, mas sobretudo pelo excesso de rigor aplicado ao PT e seus partidários, uma vez que o diapasão da "Justiça" brasileira sempre foi a impunidade. O fato de o julgamento ter sido feito em instância única e inapelável entra também nessa questão. A mídia tradicional-conservadora exerceu um papel essencial na condenação; em outras palavras, ela bateu o martelo junto com os ministros, vendendo a falsa ideia de que o mensalão é o maior caso de corrupção da história brasileira. 

Mas ao contrário do que essa mídia procura nos fazer acreditar, condenar membros da cúpula do PT não vai moralizar a política nem o judiciário, nem ressarcir a população pelas décadas e mais décadas de corrupção. A impunidade continuará dando o tom da música. Nesse sentido, o julgamento do mensalão foi um julgamento político.
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