sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Israel às portas de Gaza: mais um crime contra a humanidade se avizinha

Enquanto os ataques aéreos sobre Gaza se intensificam, o exército prepara a invasão por terra, que provavelmente será inevitável, na medida em que dezenas de milhares de reservistas são convocados e tanques são posicionados na fronteira. O mesmo cenário terrível de 2008 se delineia novamente, quando Israel invadiu e bombardeou Gaza, matando ao menos 1400 palestinos, a maioria civis e crianças, em menos de um meses.

O cinismo e a falta de remorso são faculdades peculiares de homicidas profissionais e de políticos imperialistas linha-duras como Netanyahu. Inacreditavelmente, o primeiro ministro israelense teve a pachorra de acusar o Hamas de cometer crimes de guerra! A propaganda enganosa dos sionistas continua na internet, via redes sociais, onde a IDF (as forças armadas de israel) torna públicas suas intensões humanitárias através de "esforços para minimizar as baixas civis", como os folhetos que ela lançou sobre Gaza, exortando a população a se proteger, afastando-se dos locais que potencialmente serão alvos de ataques. Como os palestinos de Gaza podem fazer isto, já que vivem sob um bloqueio territorial, é algo que Israel não menciona.

Dentre as desculpas usadas para legitimar a guerra "defensiva" (uma completa mentira: não se trata de uma guerra, muito menos defensiva!) estão os foguetes disparados por milicianos do Hamas sobre o sul do território israelense. Tal desculpa, usada amiúde, é basicamente reproduzida no mundo, sob a benção norte-americana, e torna-se a versão oficial dos fatos. O que é escondido da opinião pública é que, assim como na invasão de 2008, é o exército israelense quem deliberadamente provoca a retaliação palestina empreendendo pequenas escaramuças na fronteira. 

Desta vez não foi diferente. Dia 4 ou 5 do presente mês a IDF assassinou um palestino com deficiência mental. No dia seguinte quebrou a trégua de quatro meses acordada com o Hamas, matando seis de seus integrantes. Dias depois assassinou um menino de 13 anos. Todos esses casos suscitaram retaliações por parte do Hamas, que contra-atacaram com a única arma que têm: foguetes caseiros. As provocações de Israel, como que por mágica, desaparecem do noticiário, sobrando apenas os terríveis foguetes que aterrorizam a população israelense. 

Escutar as declarações do governo israelense me faz sentir como um esquizofrênico, tamanho o absurdo do cinismo dos seus líderes: "Israel tem o direito de se defender", "vivemos sob ataque dos palestinos", "se trata de um conflito e não de uma ocupação", e assim por diante. Um bom modo de medir o assim-chamado "direito de defesa" dos israelenses é comparar seu número de baixas durante a operação Chumbo Fundido: 13 mortos do lado israelense, 1400 mortos do lado palestino. Outro modo é avaliar os estragos, materiais e humanos, dos foguetes lançados pelo Hamas sobre Israel, os quais não se comparam a um único bombardeio israelense. 

Por trás de todas essas flagrantes mentiras existem motivos bastante palpáveis para Israel quebrar a trégua com o Hamas. Em primeiro lugar, em função dos interesses do Likud, o partido do atual primeiro ministro, de permanecer no poder. Eleições gerais foram marcadas para janeiro próximo, e iniciar um conflito com os palestinos serve para mobilizar a população contra o inimigo externo comum, fortalecendo o apoio em torno do primeiro ministro. Isso ficou muito claro quando um parlamentar do Kadima, partido centrista de oposição, disse que todo apoio deveria ser dado ao primeiro ministro. As declarações de populares a jornais, não raro exortando até mesmo a invasão por terra a Gaza, também deixam claro que essa tática funciona muito bem. 

O segundo motivo para retomar o conflito é mais indireto e, digamos, educativo. O governo israelense procura, com isso, dar ao menos duas lições aos palestinos. Primeiro, procura punir a população de Gaza por apoiar o Hamas nas urnas, o partido que rompeu com o Fatah, devido à submissão deste aos interesses de Israel, expulsando-o da Faixa de Gaza. Segundo, procura repreender os palestinos pela ousadia da ANP (Autoridade Nacional Palestina) de ir à ONU pedir o reconhecimento da palestina enquanto Estado. Esse pedido será votado na Assembléia-Geral da ONU no dia 29 deste mês, e deverá ser aprovado com folga pelos Estados-membros. Veio a público até mesmo declarações de representantes do Estado israelense pedindo a derrubada de Abbas por esta ousadia, assim como o congelamento dos repasses dos impostos recolhidos por Israel entre os palestinos e que são destinados à ANP. 

O fato é, portanto, que o governo israelense não está interessado na paz. Ao contrário, usa o conflito em seu favor. Se Netanyahu estivesse interesse em manter e aprofundar a paz com o Hamas não teria assassinado o chefe do braço militar do partido palestino, que era quem continha a violência por parte das milícias e que vinha buscando nos últimos meses estabelecer um processo de paz efetiva com israel.

Resta ver como uma nova invasão em Gaza será encarada pelas nações árabes da região, haja vista a nova configuração política estabelecida pela Primavera Árabe. O Egito, que vinha sistematicamente se mantendo neutro, na posição de "mediador", com relação ao bloqueio e às agressões israelenses, agora é governado por membros da Irmandade Muçulmana, uma organização notoriamente anti-israelense. Morsi, o atual presidente, embora tenha iniciado seu mandato dando mostras de que seguiria a política neutra de Mubarak (neutralidade neste caso equivale a, de fato, tomada de posição em favor de Israel), já subiu o tom com o governo de Netanyahu, e enviou seu primeiro ministro à Gaza para demonstrar apoio aos palestinos. Diversos setores da população egípcia demonstraram nas ruas sua indignação e milhares se dirigiram à fronteira com Gaza.
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